sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A eterna novidade

Por Luís Osete

Meu corpo flutuou por alguns minutos, girando, girando, girando...

E eu já não sabia se era sonho ou se uma força qualquer (muito além do pensamento) me erguia do chão. Tudo, em mim, se retorcia, acompanhando movimentos circulares de um ambiente que aos poucos me encurralava, numa cercania em que cada saída era a chegada: eu, homem duplicado, vivia a duplicidade de viver...

E quanto mais eu tentava me desprender, mais me sufocava. A televisão, com suas magnéticas luzes multicoloridas, se transmutara numa roldana, fazendo a cama girar. O computador, à revelia de minhas insistentes digitações, desfilava uma única frase: As flores da vida não passam de ilusões .

Tentei chegar à estante para abrir um livro de Alberto Caeiro. De súbito, as palavras saíram voando. Desenharam, na parede, os versos: Sinto-me nascido a cada momento / para a eterna novidade do mundo.

Fiquei confuso. “Mas Alberto, se o eterno é fora do tempo, como pode se apresentar novidade?”, gritei. Depois me detive na reflexão sobre o aparente paradoxo: o atual, o fluido, o tempo, a liberdade...

O registro diário de um mundo caduco é uma eterna novidade? A ética que se faz beleza (ou vice versa) está fora do tempo ou é pura temporalidade? Como podemos apalpar a atualidade, escravos que somos do que é trans? O meio, a mediação, o meu olhar é nítido como um girassol...

Um poema, como uma flor, foi brotando da parede. Tenho o costume de andar olhando para a esquerda e para a direita / e de vez em quando olhando para trás. Quanto tempo ainda restará para que o simples ato de atravessar uma rua, olhando para a direita e para a esquerda, seja prova de um anacronismo anti-tecnológico?

Acoplar-se, virtualizar-se, ser semente – pura vontade de potência. E o que vejo é sempre aquilo que nunca antes eu tinha visto / e sei dar por isso muito bem. Eu via imagens da minha infância se sobrepondo no teto, parede, porta, janela, feito uma correnteza-cinza-esverdeada-do-azul-violeta-do-céu...

Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras. E, como uma tarde que cai sobre as águas espelhadas do rio, libertei-me das amarras que me prendia (ou me conectava?) à roldana...

Acordei. E, como tudo em minha volta pareceu moderno, agora só quero uma coisa, Alberto: ser eterno...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vidas tecnológicas

Por Silvana Costa e Cecílio Ricardo

Quando começou a surgir, ou quando começamos a nos dar conta, encaramos a tecnologia como uma revolução material. Atualmente tecnologia nos remete a inteligência artificial, robótica, pós humano, e nos esquecemos de criações outras, que em tempos mais remotos eram os tais avanços tecnológicos. Bibliotecas, fogo, carroças, discos de vinil, mimeografo, velas, calendários, nomes de lugares e pessoas são tecnologias.

Devido ao desenvolvimento tecnológico, o que ontem era progresso hoje é retrocesso. A tecnologia mostrou-se tão forte ou investimos tanto nela que virou um superpoder e uma dualidade, produzimos para avançar e retrogradar. Os aparelhos de ar condicionado: “quanto mais gelam mais esquentam”, ou seja, em regiões quentes subentende-se que seria “necessário” o uso dos tais equipamentos, porque o “calor é insuportável”. Mas será que em todo ambiente dessas regiões o clima vai mudar? Vai! Os que tiverem condicionadores de ar serão “ambientes climatizados” e contribuirão para a região, e não apenas aquela, ficar ainda mais quente. É o chamado aquecimento global, o fenômeno climático que estabelece o aumento da temperatura média da superfície terrestre, tornando-se o mais grave problema ambiental causado pela humanidade. Estudos realizados revelam que no início desse século a temperatura do planeta subiu quase 2ºC.

O aumento das temperaturas pode provocar o aumento do nível dos oceanos, a quantidade e o padrão das chuvas. É possível ainda que essas alterações aumentem a freqüência e intensidade de eventos meteorológicos extremos como inundações, secas, ondas de calor, furacões e tornados. Outras conseqüências incluem reduções na produção agrícola, diminuição das geleiras, redução das correntes de verão, extinção de um grande número de espécies e o aumento de organismos transmissores de doenças.

O aquecimento global ocorre devido a fatores naturais e humanos. Entretanto, 95% corresponde às ações deste último. Quanto tempo passamos embaixo do chuveiro? Quantas horas por dia a televisão fica ligada sem ter nem um sujeito assistindo-a? Quantas roupas, papéis, brincos, sacolas plásticas, combustíveis fósseis, perfumes e mais uma infinidade de coisas consumimos diariamente sem a mínima necessidade?

Os objetos de consumo, a medicina, o comportamento, tudo é orientado pela tecnologia. Durante toda a história o ser humano buscou formas de superação e comodidade. Desta forma, foi desenvolvendo e inventando instrumentos tecnológicos. Podemos dizer então que a necessidade é a mãe das grandes invenções tecnológicas e vice-versa.

A relação entre ciência e tecnologia contribui tanto para o prolongamento da vida quanto sua destruição. No século XX, a descoberta da penicilina originou a criação de antibióticos e fez com que diminuísse o número de mortes causadas por doenças infecciosas. Em Israel, o governo investe em pesquisas - mais de 80% dos trabalhos científicos publicados no país são desenvolvidos nas universidades. Apesar de ser um país com dificuldades causadas pelo clima e por intermináveis conflitos, Israel apresenta estudos importantes em áreas como medicina, agricultura e informática. De acordo com a consultoria Business Data, Israel é o terceiro país em número de registro de patentes por ano nos Estados Unidos, à frente de potências como Alemanha, França e Reino Unido. A produção só é possível devido, principalmente, ao investimento do governo.

Num contexto caracterizado por rápidas e constantes mudanças, onde o conhecimento e a sua gestão adquirem uma importância cada vez maior e decisiva para a competitividade nos enlaces sociais, assiste-se à adoção e implementação, por vezes desenfreada e pouco refletida, de sistemas “tecnoinformacionais”, na expectativa de que estes resolvam problemas. Pouco se procura compreender de que forma as normas e os comportamentos sociais determinam o modo como essas tecnologias são utilizadas.

Na verdade, essa coisa toda nos parece labiríntica. Sabemos que os objetos “tecnoinformacionais” representam uma forma de racionalidade produtora de sentido. Trata-se de uma esfera tecno­simbólica em que os sujeitos se envolvem, sentem se protegidos e passam a ver ­se e a se relacionar com o mundo e com o outro. Na contemporaneidade, as próteses midiáticas passam a participar cada vez mais da produção de sentidos nos processos de configuração do ambiente, da moradia, dos modos de fazer e de viver, de conviver e de representar a realidade. Pode-se dizer que os objetos “tecnoinformacionais” se constituem como novos lugares de significação, de racionalidade dos processos sociais, em suma, como diz Martín­Barbero, dimensão constitutiva da produção de sentido.

Nos últimos 50 anos, a introdução de novas técnicas de comunicação e informação gerou uma ruptura histórica, uma quebra de paradigma resultante de inéditas transformações tecnológicas. Os novos padrões substituem o contato territorialmente limitado, dando maior alcance e velocidade às pesquisas a partir da interação de seus autores, independente do tempo e do espaço. A respeito da progressiva incorporação de ferramentas tecnológicas interativas, convém referir que estas conduzem à criação de espaços de interação entre os comunicadores e os destinatários. Para André Lemos, trata-se, portanto, em insistir, não em uma lógica excludente, mas em uma dialógica da complementaridade.

Nos domínios das ciências e das tecnologias, sobretudo em nossos dias, estão presentes os problemas éticos. Criadas para salvar vidas, a biotecnologia e a engenharia genética, por exemplo, tornaram-se empórios. Comercializam órgãos, pessoas e vidas. Priorizam classe social, raça e poder. Podemos verificar que o conjunto de circunstâncias em que se produz a mensagem interfere diretamente na ética e na estética. Tudo possui uma identidade. Temos montado em nosso universo o conjunto de símbolos que nos acostumamos a utilizar. Quais conjuntos utilizamos e em quais situações são definidos pelo contexto. Assim, compreende-se que as mudanças promovidas pela tecnologia acarretam alterações na identidade cultural do ser humano. O uso de piercing, tatuagens, mitigar as marcas do envelhecimento, as salas de relacionamento virtuais provocam sensações que nos oferecem a oportunidade de transgredir os limites do corpo e acreditar que a mente está livre.

O desejo de escapar do tempo e do espaço é o que Erick Felinto estabelece como relação entre as teorias da cibercultura, o transhumanismo que elas encarnam, e o mito do ciborgue. O autor explana também sobre uma convergência entre saber teórico e imaginário ficcional. Revela que nunca antes o domínio das tecnologias e da ciência esteve tão penetrado pela retórica dos mitos e pela lógica das alegorias e metáforas. Felinto chama atenção para a maneira como os novos mitos trazem de volta à nossa “hipermodernidade”, antiqüíssimas imagens de deuses e religiões passadas.

Para André Lemos, o conceito de cibercultura está vinculado à recombinação. Esta por sua vez é resultado da soma das chamadas “três leis fundadoras”: liberação do pólo de emissão, conexão em rede e reconfiguração das mídias e práticas sociais. A liberação do pólo de emissão é considerada a primeira lei da cibercultura. Exemplificando, significa, várias vozes e discursos se manifestando em oposição à uma edição de algum veículo transmissor de massa. A segunda lei é o princípio da conectividade generalizada, que diz respeito à distribuição de informação via rede telemática. A terceira lei trata da reconfiguração dos meios e das estruturas sociais a partir das relações entre sociedade e as novas tecnologias. É necessário ressaltar que a reconfiguração de um meio tradicional não significa o seu fim, mas a sua readaptação num novo contexto, visto que cada produto tem público e demandas diferenciadas.

Contrapondo a idéia de completivo defendida anteriormente, Robert Fulghan, considera que “[...] para que alguma coisa viva é preciso que outra se afaste para abrir caminho. Não há vida sem morte. E não há exceções. Tudo passa. As coisas vêm e vão. Gente. Anos. Idade. Tudo. Gira a roda do mundo e o velho abre caminho para o novo servindo-lhe de pasto e de ninho”.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que enxerga o “super-olho”?

Breves reflexões sobre Tecnologia, Informação, Comunicação e Sociedade

Por Érica Daiane


Cibernética, chips, biotecnologia, amor virtual. Essas são algumas das tantas palavras que passaram a fazer parte do nosso cotidiano de uns anos para cá. Elas vão entrando no nosso vocabulário e a gente nem se dá conta, assim como vamos nos sentindo, cada vez mais, dependentes de aparelhos e memórias virtuais. A educação não se ver mais sem o auxílio das tecnologias da informação e comunicação e estas são mecanismos a ser explorados para educar a sociedade.

Paulo Roberto Giardullo Pinto no texto O Panóptico: Foucaut confirma Orwell fala de um olho que tudo vê, um olho que vê sem ser visto e que controla seus observados. Para o autor, a tecnologia que proporciona o encurtamento das distâncias, a brevidade da informação, a agilidade da comunicação interna de determinados grupos sociais, é, ao mesmo tempo, vigilante, coercitiva, e até sufocante.

Entretanto, no ritmo atual dos acontecimentos, não mais se pode imaginar uma sociedade livre da colaboração dos multimeios. A comunicação é mediada por mecanismos que se reconfiguram a cada dia, que permitem a existência de novos pólos de emissão e estabelece conectividades entre seres humanos, sob a interferência exclusiva das máquinas.

Mas, vale destacar que os regimes políticos, aos quais a sociedade está submetida, tem utilizado o avanço tecnológico, a ousadia humana, em prol da manutenção do poder capitalista. Em nome de um desenvolvimento dito necessário, o sistema político e sócio-econômico mantém o status quo sob a justificativa de que os indivíduos precisam consumir (celulares, computadores, eletrodomésticos etc; não qualquer um e sim os de última geração) porque já existe um estado irreversível de dependência do ser humano à tecnologia. Nesse sentido, as pessoas dedicam parte da vida ao trabalho no anseio de aumentar o poder de possuir algo, geralmente algo que está na moda. E a cada dia surge algo novo na moda. Assim, constitui-se uma classe trabalhadora, geradora de lucros para uma minoria que permanece em ponto fixo de onde olha sem ser vista, legitimando o modelo panóptico.

Constata-se que os paradigmas que a cada dia se (re)estabelecem em torno da tecnologia, permitem a existência de uma via de mão dupla no campo da vida humana, que não deixa de refletir diretamente no campo da comunicação social. As teorias buscam dá conta dos acontecimentos que se justificam pela existência de uma era pós-moderna, onde a transformação do mundo parece ser um objetivo comum.

Na comunicação isso se reflete diariamente, à medida que vive-se o impasse entre o que ético ou não no fazer comunicativo, por exemplo. Fala-se em corpo cibernético, pós-humano que aparenta está inserido numa contemporaneidade sem rumo, onde o individualismo prevalece em detrimento da coletividade, onde o tempo deixa de ser qualitativo e passa a ter valor quantitativo. E isso se reflete nas rotinas e nos ecossistemas comunicativos, vive-se uma era da informação atropelada pelo dilema do transhumanismo, pelos encantos da cibercultura, pelo controle do panóptico.

Neste contexto, a via de mão dupla é explícita: existem lados, prós e contras na relação seres humanos e tecnologia. É preciso, portanto, atentar para o fato de que esta última não é vilã da humanidade, há uma mediação humana fundamental. O mundo proporcionado pelo desenvolvimento tecnológico é encantador, facilita a vida das pessoas, agiliza os processos de troca de informações acerca do mundo e de seus acontecimentos. Nisso, o discernimento na utilização dos produtos do mundo tecnológico é essencial para que a comunicação não se perca na possibilidade de superação do humano.


Inspirações:

- O Panóptico: Foucault confirma Orwell (Paulo Roberto Giardullo Pinto)

- Cibercultura: alguns pontos para compreender a nossa época (André Lemos)

- Aulas da disciplina Tecnologia da Informação, Comunicação e Sociedade




quarta-feira, 5 de agosto de 2009

ATIVIDADES

Car@s alun@s,

Como vocês não cumpriram a atividade de fazer o relatório das apresentações feitas em sala, mudamos de atividade para a nota. Agora, conforme textos lidos e discutidos em sala no dia 04/08/2009, sendo um de André Lemos e outro de Erick Felinto (e levem em consideração também a entrevista com Laymert Garcia dos Santos), vocês DEVEM ESCREVER UM TRABALHO, que pode ser individual ou em grupo constituído de, no máximo, 3 pessoas, com base nas seguintes questões:

1. Levando em conta as nossas últimas leituras e discussões, como vc avalia o atual impacto das tecnologias da informação e da comunicação nas nossas vida?

2. Segundo André Lemos, quais seriam as três leis relativas à atual dinâmica da CIBERCULTURA?

3. Quais as principais relações que Erick Felinto estabelece entre as teorias da cibercultura, o transhumanismo que elas encarnam e o mito do ciborgue?

4. Que relações vocês estabelecem entre esta discussão e o campo da comunicação social?

ESTE TRABALHO É PARA TERÇA-FEIRA, DIA 11 DE AGOSTO.

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LEMBRO AINDA QUE NÓS DIVIDIMOS A TURMA EM GRUPO PARA A REALIZAÇÃO DE UMA "FEIRA DE TECNOLOGIA" SOBRE O MODO COMO AS DIVERSAS ÁREAS ESTÃO UTILIZANDO A TECNOLOGIA, A SER REALIZADA NO DIA 13 DE AGOSTO, À NOITE. OS GRUPOS CONSTITUÍDOS ATÉ AGORA SÃO OS SEGUINTES:

Telecomunicações e Educação

1. Ana Carolina

2. Larissa Brandão

3. Thaic Carvalho

4. Mirela

5. Pablo Vasconcelos

6. Luciana Bispo

7. Luana Valéria

Música
1. Alaíde Régia
2. Elka Kelly
3. Jaqueline Silva
4. Juciana Tenório
5. Danilo Ribeiro
6. Emiliana Carvalho
7. Gilka

Artes
1. Aurílio
2. Lindair
3. Daiane
4. Fernanda Mendes
5. Mirrail Menezes
6. Bruna Rafaella
7. Gisa Ramos
8. Érica Daiane

AINDA RESTARIAM OS TEMAS

- ESPORTE;
- JORNALISMO;
- ARQUITETURA;
- MEDICINA;
- AGRONEGÓCIO;
- JUSTIÇA

Aguardo o posicionamento de vocês.

Josemar da Silva Martins

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Comunicação Alternativa

Juciana Cavalcante

Criada sob o conceito de ser uma diferença, a comunicação alternativa surge como uma nova maneira de fazer comunicação. A boa intenção não demorou muito para sofrer duras críticas pelo produto a que se propôs: tecer a crítica sobre a maneira que se fazia comunicação. Atenho-me aos veículos alternativos de comunicação, seu surgimento baseado e motivado por uma maneira ou mais simples, ou mais acessível de se transmitir uma notícia, dando ainda voz às massas.
A ideia original é boa, mas a realidade fora do papel cumpre algo quase que totalmente diferente ao que se imaginava. A comunicação alternativa como espaço para o exercício da crítica da mídia não só o fez como assumiu caráter comercial, o que na teoria deveria ser ela isenta. Rádios e TVs comunitárias, alternativas parecem correr ao longos das “pautas”, para não dizer dias, atrás da mola propulsora de sustentação, a chamada publicidade.
Temas que envolvam Educomunicação, educação associada diretamente à comunicação; a comunicação e desenvolvimento que ela pode propiciar a sociedade local, uma maneira de digitalização dos meios, e ainda políticas públicas para comunicação são discutidos em muitas academias. O problema é quando essa discussão versa apenas um lado, e a crítica pela crítica não nos leva a lugar algum. Mais do que buscar soluções é necessário e imprescindível a realização de ações que visem de fato à realização em prática das discussões sobre tais temas.
O espaço de discussões sobre a crítica da comunicação alternativa e o seu inverso, ainda podem propiciar o surgimento de novas teorias e quem sabe uma nova forma de se fazer comunicação, regida por novos parâmetros que a cada dia pautam de forma diferente os veículos de comunicação.
Quando se ouve falar em modernização das redações, técnicas de jornalismo, enxugamento das redações, onde ainda se concentram os formados na área que embora contrariando muitos, não é uma arte e sim um a ciência, esse é um dos momentos mais específicos para se avaliar os resultados que já temos com a chamada comunicação alternativa.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A robótica mais perto do que acreditávamos

Por Quercia Oliveira

Ler matérias e artigos sobre a robótica e a era pós-humana nos deixa, muitas vezes, com a equivocada impressão de que estas transformações acontecem distantes de nossos cotidianos.

Hoje, contudo, enquanto fazia uma ronda entre sites institucionais, me deparei com a surpreendente notícia de que uma equipe unebiana trouxe para o Brasil o troféu de terceiro lugar na mais importante competição de robôs inteligentes do mundo, a RoboCup.

Sincera e honestamente falando, eu não sabia da existência, nem da importância, de tal competição e, muito menos, que desenvolvíamos na nossa universidade estudos, de excelência, diga-se de passagem, nesta área.

Fica, contudo, meus cumprimentos à equipe “Bahia Robotics Team” e a indicação para leitura da
matéria completa na página da UNEB.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

(In)Formação polida

Por Silvana Costa

O fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista não é condição peremptória para a liberdade de expressão, como defendem os que são favoráveis à decisão do Supremo Tribunal Federal. A liberdade de expressão não está comprometida pelo diploma. Aos que usam do conclamado alvedrio para afirmar que diploma de jornalismo é desnecessário, faço minhas as palavras do jornalista Muniz Sodré, “não tem formação específica para compreender a complexidade teórica do que é hoje informação/comunicação”.

O diploma, ou canudo, como alguns preferem chamar ironicamente, e outros por redução, não é sinônimo de ética, caráter ou preparo. Comparo o jornalismo à pedagogia. Qual o papel de cada um? Quais funções estão cumprindo? Qual a situação das escolas atualmente? E digo atualmente referindo-me há algumas décadas. Como se sente o professor diante de uma instituição falida com alunos que nada querem aprender ou se satisfazem com aquilo que lhes é oferecido? Será que qualquer um pode ir para uma sala de aula? Qualquer um por vocação ou dom de ensinar tem esse preparo? Por que a educação é tão secundária nos governos? Por que o jornalismo foi o alvo? Será mesmo uma luta para que todos possam se expressar livremente? Será mesmo a inconstitucionalidade? Será que é inconstitucional?

A decisão do STF partiu de uma ação protocolada pelo Ministério Público Federal e o Sindicato das Empresas de Rádio de Televisão do Estado de São Paulo. Será que a natureza da pugna esclarece quais interesses estão em jogo? Por que a grande mídia silenciou o caso ou manifestou apenas os que são contra o diploma obrigatório?

Interesses em jogo ou jogo de interesses

A não obrigatoriedade do diploma servirá para apadrinhamentos políticos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social do jornalismo. Equivocado os argumentos da chamada Suprema Corte. Tanto que, de acordo com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, o STF pode rever a decisão da não obrigatoriedade do diploma para prática jornalística através de uma ação embasada em novos fundamentos ou por embargo de declaração. “No caso, o embargo de declaração estaria relacionado aos pontos omissos, porque não foi observado que os colaboradores já têm espaço previsto para a manifestação de pensamento. Ao analisar esse ponto omisso, o resultado do julgamento poderia ter sido outro”, disse o presidente nacional da OAB.

Tecnologia, comunicação...

Como se não bastasse a decisão do STF, a própria imprensa está se encarregando de acabar consigo mesma. Os critérios de noticiabilidade se confundem com sensacionalismo, espetacularização dos acontecimentos e faturamento que possam trazer a determinados setores da mídia. As novas tecnologias de informação e comunicação, principalmente a internet, incitaram ainda mais o deadline (data limite do fechamento de uma edição) no jornalismo. A televisão, o impresso e o rádio passaram a analisar e investigar menos os acontecimentos. A captação da realidade com maior aprofundamento e a narrativa diversificada estão comprometidas no jornalismo diário devido à concorrência, falta de tempo e espaço nas publicações/veiculações e indolência dos jornalistas.

Segundo Traquina, as notícias não podem ser vistas simplesmente como algo que surge de forma espontânea dos acontecimentos do mundo real, mas na incidência de acontecimentos e textos. Opta-se por um jornalismo repetitivo e enfadonho, uma corrida desenfreada pelo furo jornalístico, pelos níveis de audiência ou de vendas de exemplares e uma cobrança e pressa que o ser humano não dá conta.

Avançam para produções e investimentos em tecnologia cada vez maiores, com as mais diversas intenções, desde a busca da imortalidade através das máquinas, até a criação da inteligência artificial na área da robótica. Chegou-se ao ponto da criação de Evas Byte, um misto de entertainer/apresentadora/”jornalista”, uma mera executora de tarefas incapaz de questiona-las. A “forminha” é o protótipo almejado por aqueles que fazem jogo de interesses quando seus interesses estão em jogo.

...E informação.

A "Revolução Verde", que está ocorrendo no Irã devido à mobilização das bases de Mir-Hossein Mousavi contra o resultado da eleição – fraudulenta, segundo eles – que deu a vitória a Mahmoud Ahmadinejad, utilizou as mídias digitais para articulação do movimento e disseminação de informações. Primeiro, os manifestantes enviaram informações e mensagens por telefone. O regime iraquiano cogitou a possibilidade de bloqueio dos aparelhos. Outra alternativa foram os sites tradicionais de redes sociais – YouTube, Facebook, Flickr e Twitter –, amplamente utilizados e mantidos em uma lógica de bloqueio-desbloqueio, hackers iranianos versus autoridades. A internet noticiou o Irã para o mundo.

Em terras brasileiras, o blog da Petrobras, intitulado Fatos e Dados, foi criado em junho deste ano, com o objetivo de “apresentar fatos e dados recentes da Companhia e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”. O blog tem em média seis mil acessos diários. A Companhia constatou que o meio mais eficaz para atrair visitantes são os links nos sites de busca.

De acordo com o jornalista Luis Nassif com a “nova modalidade”, “os jornais terão que reaprender a fazer jornalismo, sob pena de terem suas matérias permanentemente questionadas por um circuito cada vez mais amplo de blogs e sites”.

Casos como esses demonstram que a informação não possui limites na Internet, consequentemente (re)afirmam o poder dessa mídia. O pensador francês Pierre Lévy vê a internet como um espaço de pensamento e comunicação em que não existe censura. “Quem participa do movimento cibercultura vive num universo cada vez mais democrático. Os que não participam estão obviamente excluídos. Isso é muito inquietante”.

Ética, retidão, caráter... E atuação.

Freire afirma que a educação é “uma forma de intervenção no mundo. Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/o aprendidos implica tanto esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento”.

A universidade é um espaço para troca de conhecimento acadêmico e informal. Diploma não é apenas o canudo. Este é ícone e não índice, de acordo com as definições semióticas de Peirce. Devemos lutar pela qualificação, não só dos cursos de jornalismo, mas da educação em todas as instâncias e da ética no exercício de qualquer que seja a profissão, de jornalistas a cozinheiros.

Há muita coisa que precisamos repensar no jornalismo. A qualidade do curso é uma delas. Por que os Excelentíssimos Ministros não fazem uso das competências que lhes são cabíveis para contribuir com a melhoria da educação brasileira? Ou a solução é acabar com o ensino? Afinal, seria mais fácil, menos dispendioso e mais interessante aos doutores da lei...

O problema não é o diploma de jornalismo, é a educação. O problema não é a liberdade de expressão, é o amor próprio, o corporativismo e o empresariado.

Decisão e (in)decisões...

Ouvi e li diversos artigos e comentários sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Professores, estudantes, sindicalistas, jornalistas, enfim, as mais diversas opiniões. Percebi – relacionado aos sentidos mesmo, porque para mim, jornalismo é enxergar, apalpar, compreender, provar e sentir – que muitos estudantes e profissionais da área não amam o jornalismo ou talvez o tenham feito porque não deram certo em outras áreas; outros tantos foram preconceituosos diante da comparação dos jornalistas com cozinheiros, feita pelo Ministro Gilmar Mendes e ainda há pessoas totalmente apáticas e desinformadas a respeito da ciência jornalística.

Aconselharam-me a fazer outro vestibular ou abandonar o curso, porque estava muito preocupada com a decisão do STF. Eu não faço jornalismo por causa de um diploma nem por falta de opção. Eu escolhi o jornalismo não como ofício, mas como uma forma de viver. Independente da decisão de um ministro (ou de oito...) isso não muda minha vontade. Aliás, só faz crescer o que motivou a minha escolha pelo jornalismo, utópica talvez: mudar o mundo - dignidade, justiça, ética, oportunidade e educação fazem parte das minhas ambições jornalísticas e pessoais. Ninguém que não esteja disposto a viver para o jornalismo (e não do jornalismo!) deve persistir numa profissão tão encantadora e incompreendida.