quinta-feira, 20 de março de 2008

ANÁLISE DO TEXTO GOVERNAMENTALIDADE

Olá Pinzó. Não conseguí entrar no blog indicado. Estou enviando o texto pelo e-mail. Avaliei o texto do Facault, "governamentalidade".

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM MULTIMEIOS
DOCENTE – JOSEMAR MARTINS (PINZÓ)
DISCENTE – JOSÉ SEBASTIÃO MENEZES DA SILVA



ANÁLISE DO TEXTO GOVERNAMENTALIDADE


O presidente brasileiro Juscelino Kubistheck costumava dizer que "governar é construir pontes". Ele se referia a necessidade dos governantes não apenas edificar "obras de pedra e cal", mas exercitar o diálogo com os correligionários e opositores, articular entendimentos. A análise de Michel Focault sobre a governamentalidade, parte do texto "Microfísica do Poder", traz um relato vivo sobre a arte de gerir governos através dos tempos, fragmentos de experiências adquiridas em sociedades complexas, conservadoras e resistentes a idéia de democracia. Fucault lança luzes sobre as "idéias de vanguarda" da arte de governar , o embricamento de governo, povo, Deus, família, patrimônio e economia. O pensamento "kubithekiano" aparece na metade do Século XX, a partir de uma visão contemporânea, mas não menos influenciada por esse arcabouço difundido desde a idade antiga. Podemos a partir do pensamento de Focault questionar? Que impulsos forjaram s conceitos de governabilidade na história humana? Qual o impacto da mentalidade dos governos no desenvolvimento das sociedades?

Fucault denomina a governamentalidade de estado como um fenômeno fundamental na história do ocidente. Se a história é concebida hoje a partir de uma compreensão de processos, não é difícil deduzir que o poder sempre foi uma das principais forças motrizes a operar no mundo a partir do momento em que o homem resolveu se organizar em grupo. A sociedade tem íntima ligação com a lógica do poder. Poder aqui implica também governo. Governo se caracteriza com condução, modo de gerir gente, recursos, idéias e ideologias. Há um fator preponderante nessa relação que é o interesse. Para quem o governo está destinado? Como o governante lida com o poder constituído ou não? Qual o grau de consciência governamental de um líder?
Como a palavra já dá pistas "governar + mentalidade", ou a faculdade ou entendimento do que é governar. Talvez o documento mais conhecido da história sobre a arte de governar esteja em livros religioso, como a Bíblia e o Alcorão onde estão os decretos, instituídos por uma divindade ou orientados aos homens sobre comportamentos sociais ou de ordem religiosa. Mas é no livro de Nicolau Maquiavel que os governantes terão uma idéia mais direcionada exclusivamente sobre como lidar com o poder. A crítica que se faz ao "Príncipe" é que o livro não foi feito exatamente para governar, mas sobretudo para "manter o poder", seja lá em que circunstâncias. Fucault alerta que embora o Príncipe tenha sido abominado, chegou a ser reverenciado pelos contemporâneos e sucessores imediatos, sobretudo no Século XIX, quando desaparece quase toda a literatura sobre a arte de governar. Fucault avalia que "a literatura anti-Maquiavel não tem somente uma função negativa de censura, de barragem, de recusa do inaceitável: é um gênero positivo que tem objeto, conceitos e estratégia e é em sua subjetividade que gostaria de analisá-lo". A maioria dos livros críticos em relação a Maquiavel, são de origem católica. Um dos questionamentos do conteúdo diz respeito a questão das relações de força, considerado como princípio de inteligibilidae e de racionalização das relações internacionais. Segundo Fucaut o objetivo do exerc´cicio do poder será: manter, reforçar e proteger esse principado, entendido não como o conjunto constituído pelos súditos e território, o principado objetivo, mas como a relação do príncipe com o que ele possui, com o território que herdou ou adquiriu e com os súditos. Daí surge uma inquietação que vale a pena analisar. Há uma diferença abissal entre governar e conservar o poder. A grosso modo gerir os destinos de uma nação de maneira mais natural e tradicional significa atender as expectativas dos súditos, dos governados que esperam do poder o senso de justiça, o equilíbrio, o bom senso nas decisões de interesse coletivo, em ações de cunho democrático e plural. Em suma, o povo quer se sentir amparado nos bons e maus momentos. Não é por acaso que nos momentos de comoção social, em guerras nos quais um país tem participação, é clássica a cena do rei, rainha, príncipe, ou presidente, convocar a sociedade para anunciar uma decisão e intuir nas mentes e corações a subjetividade do amor e da preocupação coletiva. Foi assim com Napoleão, com Hitler, com De Gaulle e com Getúlio Vargas.

Mas é comum na história perceber a contradição do poder, vista sobre o ângulo da benevolência. A intencionalidade dos governantes nem sempre foi de interesse coletivo, mas para atender aos reclames de uma casta, da corte. Os exemplos de Stalin, dos cesares romanos, dos ditadores sul americanos dão uma idéia mais clara do pensamento "distorcido do que seria governar". A tese do "direito divino dos reis" é um exemplo claro da "da autoridade natural", defendida por remanescentes das famílias influentes da Europa. O rei Luiz XIV por exemplo dizia: "o estado é meu" ou então "o sol nasce e se põe em meus domínios". São escassos os exemplos na História sobre o fenômeno de um país sem governo. A idéia parece vazia, ou impossibilitada de ser concebida diante dessa característica tão comum na natureza humana que é o de aceitar uma liderança, mesmo que a "última palavra" seja de um grupo de escolhido numa multidão. Há de se ter um norte e essa direção precisa ser compreendida e apontada por alguém.

O texto trata da questão família e poder, governo e família, governo família e economia e como se dá esse embricamento. O autor chama a atenção para a seguinte pergunta: Como introduzir a economia – isto é, a maneira de gerir corretamente os indivíduos, os bens, as riquezas no interior da família – ao nível da gestão de um estado? A carta de La Mothe Lê Vayer para o Delfim dá uma idéia clara dos valores da época e de como um governante deveria agir na sociedade: estabeleceu um tratado de moral, em seguida um livro de economia e finalmente um tratado de política. Esse tripé seria essencial para um governante bem sucedido. "aquele que quer governa o estado, precisa primeiro saber se governar, sua família, seus bens e seu patrimônio. Apesar dessas reflexões ocorrerem entre os séculos XVI e XVIII, poderemos perceber que na antiguidade esses mesmos valores são cobrados do governante, mesmo que não sejam tão clarividentes. A história bíblica do Rei Davi por exemplo, mostra que os afazeres do governante, preocupados com as guerras e decisões administrativas causaram problemas sérios na família, como tentativa de assassinato de um dos filhos do rei contra o próprio pai, abuso sexual de um irmão contra a irmã e adultério. O desgaste do rei hebraico foi evidente porque ele não soube equilibrar os "palcos de sua existência", e pagou muito caro por isso.

Percebe-se que a idéia de governar é complexa bastando não apenas o talento administrativo em si, mas o governo está relacionado às instituições e ao coletivo. As atitudes e o comportamento do governante influenciam diretamente no conjunto da sociedade. A boa gestão do estado teria uma influência forte sobre o comportamento dos chefes de família que saberiam também como governar seus bens. Facault nos estimula a pensar sobre a era da governamentalização do estado e o fenômeno que o fez sobreviver. Sobre as táticas empregadas na condução dos governos que deixa de ser definido plo aspecto da terrritorialidade, mas pela massa da população, pela instrumentalização do saber econômico e pelos dispositivos de segurança. Tronou-se lugar comum a afirmação de que o estado ruiu como instituição, ofuscado pelas companhias transnacionais que agora estariam "dando as cartas". Não estaria a governamentalidade usando agora uma nova tática que é dá ao povo e a iniciativa privada uma falsa sensação de autonomia e poder para continuar sobrevivendo de forma sutil?
JOSÉ SEBASTIÃO MENEZES DA SILVA

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