Pinzoh, abaixo segue o meu escrito a respeito do texto A Governamentalidade, com a diferença de que resolvi seguir outra linha de abordagem, distante de resumo, pois entendi que a atividade consistia em fazer um texto dentro do texto dado. Desculpe pela demora, só pude te enviar hoje pois em jaguarari, por conta das chuvas, a net caia toda hora e na segunda-feira fiquei meio adoentada. Aí vai.
A Arte de Governar
Uma das grandes possibilidades existente no universo lingüístico é a utilização dos <> das palavras, com vias a reconstruir seus significados, ou as “mil faces secretas sob a face neutra” no dizer poético Drummondiano, ou seja, sermos capazes de pôr um nome na intimidade de uma coisa e recomeçar o talento de existir. Por conta disto, as palavras Arte e Governo, embora pertençam a diferentes constelações de signos ou diferentes corredores isotópicos, podem ser propositadamente resignificadas. Isso porque, dessa comunhão, nada infringe o princípio de que toda enunciação deve estar intimamente ligada ao contexto do qual emana. Um ponto obscuro, de difícil resolução para quase toda teoria: qual deve ser a terminologia adequada para se tratar de tal tema, e qual será o limiar da linguagem verbal torna-se insuficiente à explanação de um outro modo de pensar - que necessitaria da adoção das demais semioses.
É importante destacar que as palavras estão fundamentalmente ligadas à fabricação do mundo, das realidades e das teorias, e não como singelas peças de reprodução- como alguns também insistem em ver o ofício dos jornalistas. Portanto, quando Foucault opõe o modo de Governar ‘maquiavélico’ do exercício de governo como Arte, descrevendo detalhadamente as manobras estatais para se alcançar as zonas conscientes e inconscientes das populações, que seriam o fator preponderante dessa modalidade de governar, organiza-se também dentro do conceito de polícia, ciência política que regula a sociedade pelos seus dispositivos de segurança, um outro tipo de controle que é o do discurso.
Questionar-se Como? Porquê? Com que finalidade? uma população concordará com a soberania nas diversas formas históricas de Governo implica em detectar quais estratégias discursivas- além das táticas e das técnicas- coordenaram o estabelecimento e a aceitação de uma representação para o “interesse geral”, que verdadeiramente não passa de uma abstração das vontades reais de cada ser humano. Mas o fato é que esse fenômeno existe e funcionaria mais ou menos como um orador( representação do Governo) frente a um auditório( população). O universo de sentido propiciado pelo discurso impõe-se tanto pelo ethos -- categoria citada por Dominique Maingueneau nos seus estudos de Comunicação – como pelas idéias que transmite. Na realidade, essas idéias se apresentam por intermédio de uma maneira de dizer que remete a uma maneira de ser, à participação imaginária da população em uma experiência vivida; são os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório(pouco importa sua sinceridade) para causar boa impressão, são determinações físicas e psíquicas ligadas pelas representações coletivas à personagem do Governo, o que lhe atribui um caráter e uma corporalidade. E estes, segundo Maingueneau, provêm de um conjunto de representações sociais valorizadas ou desvalorizadas, sobre as quais se apóia um discurso que, por sua vez, pode confirmá-las ou modificá-las. Finalmente, esse tipo de incorporação permitirá a construção de um corpo governamental: o da comunidade imaginária dos que comungam na adesão de um mesmo discurso.
Optar por uma explanação concernente ao arcabouço lingüístico dado por Michel Foucault ao tema da Governamentalidade como um dos mecanismos de poder é essencial na medida em que atribui às palavras, aos signos e aos discursos em geral vital importância nas discussões sobre poder; quando, por exemplo, um discurso torna-se o lugar de uma afirmação se interditado por diversas vezes. Também reafirma uma coerência com grande parte dos textos de Foucault, a exemplo de A Ordem do Discurso, que trata especificamente da autonomia do discurso e dos mecanismos de sua interdição.
FOUCAULT, Michel. Microfisica do poder. Rio e Janeiro: Edições graal, 1979, p. 277-293.
A Arte de Governar
Uma das grandes possibilidades existente no universo lingüístico é a utilização dos <
É importante destacar que as palavras estão fundamentalmente ligadas à fabricação do mundo, das realidades e das teorias, e não como singelas peças de reprodução- como alguns também insistem em ver o ofício dos jornalistas. Portanto, quando Foucault opõe o modo de Governar ‘maquiavélico’ do exercício de governo como Arte, descrevendo detalhadamente as manobras estatais para se alcançar as zonas conscientes e inconscientes das populações, que seriam o fator preponderante dessa modalidade de governar, organiza-se também dentro do conceito de polícia, ciência política que regula a sociedade pelos seus dispositivos de segurança, um outro tipo de controle que é o do discurso.
Questionar-se Como? Porquê? Com que finalidade? uma população concordará com a soberania nas diversas formas históricas de Governo implica em detectar quais estratégias discursivas- além das táticas e das técnicas- coordenaram o estabelecimento e a aceitação de uma representação para o “interesse geral”, que verdadeiramente não passa de uma abstração das vontades reais de cada ser humano. Mas o fato é que esse fenômeno existe e funcionaria mais ou menos como um orador( representação do Governo) frente a um auditório( população). O universo de sentido propiciado pelo discurso impõe-se tanto pelo ethos -- categoria citada por Dominique Maingueneau nos seus estudos de Comunicação – como pelas idéias que transmite. Na realidade, essas idéias se apresentam por intermédio de uma maneira de dizer que remete a uma maneira de ser, à participação imaginária da população em uma experiência vivida; são os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório(pouco importa sua sinceridade) para causar boa impressão, são determinações físicas e psíquicas ligadas pelas representações coletivas à personagem do Governo, o que lhe atribui um caráter e uma corporalidade. E estes, segundo Maingueneau, provêm de um conjunto de representações sociais valorizadas ou desvalorizadas, sobre as quais se apóia um discurso que, por sua vez, pode confirmá-las ou modificá-las. Finalmente, esse tipo de incorporação permitirá a construção de um corpo governamental: o da comunidade imaginária dos que comungam na adesão de um mesmo discurso.
Optar por uma explanação concernente ao arcabouço lingüístico dado por Michel Foucault ao tema da Governamentalidade como um dos mecanismos de poder é essencial na medida em que atribui às palavras, aos signos e aos discursos em geral vital importância nas discussões sobre poder; quando, por exemplo, um discurso torna-se o lugar de uma afirmação se interditado por diversas vezes. Também reafirma uma coerência com grande parte dos textos de Foucault, a exemplo de A Ordem do Discurso, que trata especificamente da autonomia do discurso e dos mecanismos de sua interdição.
FOUCAULT, Michel. Microfisica do poder. Rio e Janeiro: Edições graal, 1979, p. 277-293.
FOUCAULT, Michel.A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1999
MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação . São Paulo: Cortez, 2004.
Poema “Procura da poesia” de Carlos Drummond de Andrade
(MARIANA)

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