Segunda-feira, 31 de Março de 2008

A GOVERNAMENTALIDADE

Texto: A GOVERNAMENTALIDADE

Na segunda (24/03), após a aula, perguntei a Pinzoh qual deveria ser o estilo do texto que ele solicitou e que vale metade da nota da primeira unidade. Ele respondeu apenas que deveria ser do jeito que eu quisesse. Disse ainda, que valeria até mesmo uma poesia. Então pensei: pô! Se eu fosse poeta como Germano, Vinícius ou Daniel, seria fácil. É, eu não sou.
Pior do que essa triste conclusão foi chegar em Pilar (local onde moro) e perceber que havia faltado energia.
Quando a energia voltou, eu já havia tentado iniciar o trabalho, mas ainda não tinha conseguido produzir nada. O fato é que já passava das 23:30 e eu sequer havia começado o texto. De repente veio a luz – dessa vez no interior da cabeça: Eles quem? Aí eu escrevi essa loucura que vocês vão ler agora.
Ah! Por incrível que pareça, eu gastei mais tempo fazendo o diálogo abaixo do que fazendo essa introdução. Acreditem.

- Polícia, para que polícia? Polícia é para quem precisa.
- Quem precisa?
- Eu, tu, eles...
- Eu, sim. Tu, também. E eles? Quem são eles?
- Eles são aqueles.
- Aqueles quem? O que eles pensam que são?
- Bem! Aqueles que governam.
- Governam? Só se for você. É isso que governam? Para que governo? Quem precisa dele?
- Nós.
- Nós é muita gente. Nós quem?
- Eu, tu, eles...
- Só resta agora dizer que eles também precisam de nós.
- É verdade. Eles precisam.
- É loucura. Para que precisam?
- Ora! Para que o vaqueiro sem boiada?
- Vaqueiro? Boiada?
- Sim! Alguém precisa levar até o curral, aqueles que já conhecem o caminho.
­- Que caminho? Onde você quer chegar?
- Estou esperando que me digam que caminho seguir.
- Esperando? Quem você espera?
- Pelo governo. Pelo soberano. O “olhar superior”.
- Governo? Olhar superior?
- Sim. Já sei que devo trabalhar, estudar, me vestir bem, não usar drogas ilegais, chegar cedo, sair tarde, “olha a hora que você chega. Depois de ‘tal hora’ você toma falta”. Devo andar “assim”, e não “assado”. Posso falar “isso”, mas não “aquilo”. Se alguém diz: que tal uma cervejinha? Eu digo que não posso. “só no final de semana. Afinal, beber no meio de semana é coisa de desocupado.
- Que loucura!
- Que verdade, não?
- Quem te disse isso?
- Foram eles.
- Eles quem?
- Aqueles que governam.
- O papo ta bom mas tenho que ir.
- Já? Qual o problema?
- É que já se passaram os dez minutos de intervalo e logo depois do “recreio” @ ti@ faz chamada.
- Quem te disse?
- Eles.
- Eles quem?


Álvaro Luiz

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