O processo de aculturação do ser humano o conduziu a convivência social, impulsionando-o a organização das formas de viver segundo objetivos ora amplamente aceitos, outrora situações de imposição do poder. A conduta do individuo se estabelece dentro da sociedade conforme é guiada por si ou pelo outros (instituições, estado, religião) sofrendo alterações e enquadramentos para justificar os fins da técnica de governar.
Segundo Foucault a governamentabilidade institui relações de poder que utiliza de formas racionais de pensamento, de jogos estratégicos e tecnologias para sobrepor o olhar soberano a frente da população. São estes aparatos que ajudam o governo ou estado, a tratar da população sem descuidar-se do individuo.
As tecnologias utilizadas dentro da governamentabilidade trazem do individuo a possibilidade de subjetivação e reflexão sobre o eu, enquanto este procura guiar sua conduta de acordo com os parâmetros institucionais, que são compostos por relações assimétricas com o poder Estatal.
O método da escola moderna é um dos principais exemplos do exercício da governamentabilidade, em que são formuladas as crianças, praticas que representam à sociedade, utilizando as microtecnologias, para tornar o meio mais aceitável às idéias políticas impostas. Ainda na infância o individuo é entregue a um conjunto de práticas e rotinas e rituais institucionais que são focados em metas para desenhar a conduta social de cada homem e encaminhá-lo a procedimentos elaborados com a finalidade de atender fins das racionalidades governamentais, apontada por Foucault com as tecnologias do governo.
Os regimes particulares de verdade, chamados sistemas de expertise por Maria Isabel Edelweiss, autora do texto, são uns dos modos de utilizar as tecnologias como painel para exposição das informações trazidas por especialistas, os quais definem a forma de governar as crianças e compreender suas ações enquanto parte importante da sociedade. A infância “conduzível”, pois a racionalidade de descrever onde está o poder e quem é capaz de determinar a conduta dos outros homens, sem aparentar invasão ou distúrbio no meio social.
Certas práticas disciplinares são modos de utilizar tecnologias para impor um “comportamento” regrado e descrito por Isabel Edelweiss, como autodisciplinamento. “De modo que os sujeitos mantenham a si mesmo e aos outros sob controle”. Para tais fins, a governamentabilidade se apropria de dispositivos de subjetivação, que incitam a constituição do ser. As relações entre instituições, comunidade e estado exercem influencia sobre os indivíduos que estão integrados a este processo tanto em áreas onde o governo é periférico, quanto na sua forma central, ambos, utilizando a governamentabilidade como firma maneira de interagir entre as tecnologias (rotinas, aparatos) de denominação social ou apenas do próprio sujeito.
Governamentalizar é utilizar as informações absorvidas por meio das tecnologias para compor o cenário social melhor e adequar o indivíduo, sujeito de si, ao seu “habitat” ou a sociedade, trazendo ao homem a potencialidade de aprender a ser senhor de si mesmo e dos outros, mas, dentro das regras que são resultado das relações de poder que todos participam, sejam problematizando os conflitos ou os solucionado.
Maria Gisele e Sheila Gomes

Nenhum comentário:
Postar um comentário