UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS – DCH III
CURSO: COMUNICAÇÃO SCOAIL – JORNALISMO EM MULTIMEIOS
DISCIPLINA: TEC. INF. SOC. E COMUNICAÇÃO
PROF: PINZOH SEMESTRE 2007.2
ALUNA: DALILA SANTOS 7º PERÍODO
O OLHO QUE TUDO VÊ?
Panóptico, o olho que tudo vê... Antes de nos atermos ao texto base para a confecção deste texto secundário, gostaria de questionar o que esse olho que tudo vê realmente vê. Ele observa todos os passos, gestos e comportamento dos indivíduos que estão sob seu domínio. Agora, ele seria capaz de saber o que se passa na cabeça de casa um dos vigiados? Quais são seus pensamentos e sentimentos?
Poderíamos analisar da seguinte maneira: as atitudes e os comportamentos são gerados da junção de diversos elementos, entre eles os sentimentos e os pensamentos. Mas todo e qualquer indivíduo tem a capacidade de disfarçar a sua verdadeira personalidade, vide os famosos Big Brothers da vida. O olho que tudo vê serve como uma ferramenta de inspeção, onde as pessoas são vigiadas e controladas, mas não totalmente codificadas.
Nas cinco cartas escritas por Jeremy Bentham no século XVIII, observamos a construção de um modelo de edifício, criado como penitenciária, mas utilizada em outras instituições como escola, hospitais e hospícios. O autor dos textos nos descreve como se deve constituir um local onde se possa exercer domínio sobre as pessoas confinadas naquele lugar. A ferramenta tecnológica utilizada por ele para a execução desse modelo de dominação é a arquitetura. Através da construção de um edifício onde o observador-mor fique no centro e os observados fiquem ao seu alcance em sua totalidade.
Nesse modelo de construção civil, a intenção é que todos, inclusive os funcionários do local, tenham seus passos observador e controlados por alguém que “tudo vê” e que nunca é visto. Todos estão naquele ambiente passando por um processo de disciplinação. Dessa maneira, constitui-se um sistema de informações, tudo o que acontece dentro daquele edifício é monitorado e analisado, gerando uma série de informações sobre os indivíduos que constituem aquele espaço. A catalogagem dessas informações geram estatísticas, considerada outra tecnologia de poder. Através delas geram-se informações sobre todos os aspectos: origem dos indivíduos, idade, perfil psicológico, motivo pelo qual foi aprisionado (no caso de hospícios e penitenciárias) etc.
As tecnologias utilizadas como ferramenta de poder e as informações geradas através delas definem regras, que através de um sistema disciplinar, juntamente com o espaço social e as rotinas estabelecidas, iram constituir modelos padrões de enunciados. Esses últimos definiram o que é certo e o que é errado dentro de uma sociedade. A relação tecnologia, informação e sociedade é um ciclo onde todos são dependentes uns dos outros.
Os enunciados gerados em um determinado espaço, como as penitenciárias, transpassam os muros desses prédios e chegam à sociedade como regras a serem cumpridas. Outro espaço, que constitui uma série de enunciados e que está inserido no modelo panóptico é a escola. Nela somos vigiados, controlados e disciplinados durante grande parte de nossas vidas. Os enunciados gerados dentro desse espaço em sua maioria serão carregados pelos indivíduos pelo resta da vida. A escola pode ser considerada uma das maiores, senão a maior, ferramenta de poder. É uma geradora infinita de informações e constitui um grande globo de enunciados admitidos, em quase sua totalidade, pela sociedade.
segunda-feira, 31 de março de 2008
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Um comentário:
As questões levantadas sobre a utilização, ou melhor, a finalidade da tecnologia na sociedade retoma um discussão sobre quais são os princípios norteadores de ações que, hoje, atestam a fluidez entre ética, mercado, belicidade, políticas, poder. O controle social já foi diagnosticado e, até, revelado seus elos de sustentação e fraqueza. Contudo, seu mecanismo de sustentação entrenhou-se à sujetividade humana e a atrelou a sua própria sustentação. Toda a sociedade está arquitetada (econômica, cívil, jurídico, político, subjetivamente) a submissão dos desejos ( e é ai que se encontra as tecnologias de coesão social) a maquinaria de esvaziamento subversivo.
Esse fenômeno social criou uma linguagem própria que a ratifica em ações cotidianas. A financeirização outorgou a ditadura das horas. seu modos operandi retitrou o tempo do indivíduo e o programa associado a idéia de que tempo proveitoso e aquele utilizado pelo mercado. O tempo nos foge, dessa forma, uma vez que o passado cumpre um paradoxo (ao mesmo tempo que é deslegitimado pelo turbilhão de tranformações sociais que fragilizam os paradigmas de tradição, ele, o passado, se ratifica na falas aparência de transformação que não rompe, mas si mantém e customiza). Já o futuro se presentifica por dois motivos: primeiro a sensação de fatalismo sobre um apocalipse próximo, e isso imobiliza contestação e rupturas, e segundo, por ser presentificado em ações caracterizada pelo hedonismo, efemeridade e fluidez.
Além dessa prevalência do presente, concorre que este afastamento do tempo da subjetivação individual e transformado em um mecanismo de apaziguamento coletivo, há a perda de referências proposta pela presença de tecnologias de informação. Mais conseqüência e um aspecto da rotina produtiva desses meios do que uma característica intrínseca sua, as tecnologias de informação convulsionam tradições, modos de comportamento, vivênvias que, porém, antes de engrenar rompimentos, os aliciam em um modo de vida padrão, passivo, "doce".
Diego
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