domingo, 23 de março de 2008

Panóptico ou a Casa de Inspeção: contando a idéia de um novo princípio de construção. Jeremy Bentham

"Panoptico ou a Casa de Inspeção", é um conjunto de cartas de duas pessoas que se correspondem a fim de discutir a construção de um novo modelo para uma casa de inspeção, ou seja, um presídio. No decorrer de todo o texto são colocadas estratégias associadas ao projeto arquitetônico do prédio, com o intuito de obter um resultado satisfatório, não só na estrutura física do local, mas, principalmente, no cumprimento de sua função como instituição.

Com o fim da Idade Média e todas as mudanças que marcaram a sua transição para a Modernidade, era preciso pensar em modelos institucionais adequados à nova estrura social que se fazia presente. No que diz respeito ao sistema de segurança, Jeremy Bentham sugere o Panóptico como meio mais eficaz para sanar as deficiências dos sistemas mais antigos de vigilância.

Os mecanismos utilizados na construção da casa são o que pode-se nomear como as tecnologias desenvolvidas para o cumprimento de seus fins. O estabelecimento de um prédio circular com celas separadas entre si, ocupando toda a cincunferência e a presença de um inspetor no seu centro, observando todo o movimento do ambiente, por exemplo, foram estratégias pensadas de forma a impedir a comunicação entre os presos e para mantê-los sobre rígida vigilâcia. Portanto, as decisões não são tomadas ao acaso. Existe um plano, um projeto para as coisas acontesserem desse modo.

Assim, estabelecia-se uma condição na qual o controle social era exercido por uma relação psicológica de poder entre o inspetor e os presos. O primeiro, era um observador invisível e os outros eram os controlados, vigiados por todos os lados. Uma espécie de "Big Brother", no qual o prêmio estava muito distante de um milhão de reais.

Hoje, as estratégias utilizadas naquela época não foram desprezados, e sim, aprimoradas. O princício do controle social continua sendo exercido, mas agora de forma diferente. O inspetor não precisa mais fazer o trabalho pesado. Ele é apenas o idealizador desses mecanismos. Pois agora são os indivíduos que de forma consciente ou inconsciente vigiam-se uns aos outros, a fim de manter o controle e a ordem na sociedade.

Eneida Trindade, Leônidas Vidal, Livia Orge e Patrícia Teles

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