terça-feira, 11 de março de 2008

TERCEIRA AULA


O eixo dessas primeiras aulas é a relação homem-máquina. E há, de fato, não apenas diversos modos de abordar essas relação, mas, principalmente, diversos vieses dessa relação. Semana passada, na segunda aula, o filme "A Máquina - o amor é o cobustível", de João Falcão, abriu a possibilidade de tomar não apenas o amor, mas o desejo, como motores maquínicos de nossa relação com o mundo...
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Nesta aula, a terceira, anos apoiamos no texto "O homem-máquina hoje". de Sérgio Paulo Rouanet - Publicado em "O Homem-Máquina: a ciência manipula o corpo", organizado por Adauto Novaes (São Paulo: Companhia das Letras, 2003). Neste texto Rouanet recupera a expressão "homem-máquina" do título de uma obra do médico Julien Offray de La Mettrie, que viveu e perambulou pela Europa durante a primeira metade do século XVIII.
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La Mettrie, achava que a única finalidade do homem é a busca pela felicidade e que, sendo assim, não lhe servem a moral ou a regras externas, já que é seu organismo e suas vontades autônomas que devem decidir o que é certo ou errado, o que pode ou o que não pode... Embora Rouanet não faça essa vinvulação, a perspectiva de La Mettire, propõe uma desprogramação do indivíduo em relação às regras sociais, e sua feição hedonista se aproxima daquilo que foi proposto por Gilles Deleuze e Féliz Guattari em "O Anti-Étipo". Como diz Jair Ferreira dos Santos, em "O que é pós-moderno?" (São Paulo: Brasiliense, 2005)...
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O livro metia a noção marxista de produção nos porões do inconsciente freudiano. Este deixava de ser o cenário das imagens e emoções recalcadas para virar máquina desejante, energia produtora de desejos. A idéia de máquina desejante era filha do cruzamento da sociedade capitalista (Marx/máquina) com o inconsciente individual (Freud/desejo). Sociedade e indivíduo eram uma coisa só: máquinas desejantes" (SANTOS, 2005, p. 81).
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Mas o mais importante, que aproxima DELEUZE & GUATTARI da perspectiva de La Mettrie é, conforme SANTOS, o seguinte: a promoção do esquizonfrênico (ou o Corpo Sem Órgão) permite que... "Desprogramado, o esquizofrênico usa suas energias como lhe dá na telha.Não come, ou como quando quer, não caga, ou caga onde está, não respeita horários nem patrões, goza com todas as saliências e buracos”
(SANTOS, 2005, p. 82). Significa produzir uma intensidade = 0, em relação ás forças de domesticação externas, portanto, as regras sociais, morais, etc. Esta é, nos parece, uma imagem muito próxima da de La Mettrie e do seu "homem-máquina".

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Claro que o livro de Deleuze & Guattari nos leva a especular sobre processos de "regulamentação" que produziram a civilização, segundo Freud (contra quem escreve a dupla), pelo menos no seu livro "O Mal-Estar na Civilização" (Rio de Janeiro: Imago Ed., 1997). E tudo indica que nosso atual estado maquínico quer se livrar de todo tipo de "mal-estar", como se isto fosse possível. Este reencontro com La Mettrie (depois de uma longa vitória de Descartes), cuja perspectiva nos parece recapitulada por Deleuze e Guattari, nos revela nosso atual "estado-de-máquina".
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OBS: Há um texto de Sérgio Paulo Rouanet, "Do Homem-Máquina ao Homem-Genoma", que pode ser acessado no endereço http://eumatil.vilabol.uol.com.br/homemmaquina.htm.
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Josemar Martins (Pinzoh)
Professor

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