Texto 03: O panóptico ou A casa de inspeção – IN: SILVA, Tomaz Tadeu da (org). O Panóptico. Jeremy Bentham – Belo Horizonte: Autêntica, 2000, pag. 15- 26.
A partir da representação arquitetônica de uma casa de detenção (que poderia ser útil também a outras instituições, como hospitais, escolas e fábricas), o autor constrói uma metáfora de como é possível estabelecer controle e transformações sociais, políticas e econômicas numa dada sociedade.
Um novo sistema político se configurava na Europa do século XVIII. As formas de manutenção de controle social, antes compatíveis com o regime feudal característico da Idade Média, não obtinham a eficiência necessária na sociedade que se instaurava, já que atendiam a princípios políticos pautados no extremismo religioso e centralizador, não compatíveis com o novo período, denominado, antiteticamente ao anterior, de período das luzes.
No intuito de resolver os problemas de vigilância que se faziam presentes, Jeremy Bentham propõe o Panóptico, um edifício circular dividido em celas, pelas quais seria possível a entrada de luz e ar, que funcionaria justamente como um dispositivo tecnológico de poder. E de que forma se instituiria esse poder? Por meio de uma torre central, o vigilante poderia perceber a silhueta dos prisioneiros com o auxílio dos efeitos de luz, podendo assim, exercer o controle sobre eles. O segredo para a garantia de ordem, no entanto, se dá pela questão da visibilidade: apesar de poderem ver ‘onipresentemente’ toda a extensão da casa de detenção e em tempo integral, os vigilantes não podem ser vistos, facilitando, dessa maneira, o cumprimento de suas ações, ainda que estas não estivessem necessariamente em curso. O objetivo final de manutenção de controle feita pelo Panóptico, portanto, não se dá pela punição física, meio do qual se utilizavam os detentores de poder na Idade Média, mas sim por força psicológica, através da intimidação causada pela sensação constante de se estar sendo vigiado.
Atualmente, sobretudo com o desenvolvimento e proliferação de tecnologias que facilitam as relações de poder instituídas pelo Panóptico, tal princípio permanece em plena atividade, adaptado aos novos mecanismos sociais, mas exercendo o mesmo controle de quando proposto. As tecnologias tornaram-se mais práticas e eficientes, o que facilitou sua inserção em todos os espaços possíveis, desde ambientes públicos, como sistemas de vigilância por micro-câmeras, até mesmo no interior de seres humanos, como a introdução subcutânea de chips localizadores em prisioneiros considerados de alto risco.
Por Inês Guimarães
A partir da representação arquitetônica de uma casa de detenção (que poderia ser útil também a outras instituições, como hospitais, escolas e fábricas), o autor constrói uma metáfora de como é possível estabelecer controle e transformações sociais, políticas e econômicas numa dada sociedade.
Um novo sistema político se configurava na Europa do século XVIII. As formas de manutenção de controle social, antes compatíveis com o regime feudal característico da Idade Média, não obtinham a eficiência necessária na sociedade que se instaurava, já que atendiam a princípios políticos pautados no extremismo religioso e centralizador, não compatíveis com o novo período, denominado, antiteticamente ao anterior, de período das luzes.
No intuito de resolver os problemas de vigilância que se faziam presentes, Jeremy Bentham propõe o Panóptico, um edifício circular dividido em celas, pelas quais seria possível a entrada de luz e ar, que funcionaria justamente como um dispositivo tecnológico de poder. E de que forma se instituiria esse poder? Por meio de uma torre central, o vigilante poderia perceber a silhueta dos prisioneiros com o auxílio dos efeitos de luz, podendo assim, exercer o controle sobre eles. O segredo para a garantia de ordem, no entanto, se dá pela questão da visibilidade: apesar de poderem ver ‘onipresentemente’ toda a extensão da casa de detenção e em tempo integral, os vigilantes não podem ser vistos, facilitando, dessa maneira, o cumprimento de suas ações, ainda que estas não estivessem necessariamente em curso. O objetivo final de manutenção de controle feita pelo Panóptico, portanto, não se dá pela punição física, meio do qual se utilizavam os detentores de poder na Idade Média, mas sim por força psicológica, através da intimidação causada pela sensação constante de se estar sendo vigiado.
Atualmente, sobretudo com o desenvolvimento e proliferação de tecnologias que facilitam as relações de poder instituídas pelo Panóptico, tal princípio permanece em plena atividade, adaptado aos novos mecanismos sociais, mas exercendo o mesmo controle de quando proposto. As tecnologias tornaram-se mais práticas e eficientes, o que facilitou sua inserção em todos os espaços possíveis, desde ambientes públicos, como sistemas de vigilância por micro-câmeras, até mesmo no interior de seres humanos, como a introdução subcutânea de chips localizadores em prisioneiros considerados de alto risco.
Por Inês Guimarães

0 comentários:
Postar um comentário