segunda-feira, 31 de março de 2008

Triste fim de Pedro


O enclausuramento acontecera num belo dia de domingo quando os lugares públicos ficam repletos de “famílias de bem” que buscam descontração e alegria com seus entes queridos. Em meios a crianças e adultos reunidos em piqueniques surge o improvável e o constrangedor. A polícia preventiva da cidade planejada de Brasília fora chamada ao parque para “corrigir” um jovem que se banhava, em trajes íntimos, no chafariz do parquinho corrompendo o princípio da normalidade do local.

Em uma delegacia, Pedro, um jovem de vinte e um anos, matutava deitado no chão duro da cela o porquê da sua prisão, o motivo para que aquelas pessoas se incomodassem com o seu gesto inofensivo, afinal era um dia muito quente e aquele era o único meio pelo qual pudesse se refrescar e, apesar de ser morador de rua, tinha o desvelo de manter a higiene pessoal e isso para ele é o poder que uma pessoa exerce em si mesmo.

Sob o olhar vigilante de câmeras instaladas em vários pontos da alcova, o rapaz refletia e pensava em sua saudosa família. Seu pai, um caixeiro viajante, homem de “valores e de moral” aconselhava como um pastor zeloso por suas ovelhas a importância de um individuo ser bem visto pela sociedade e qualquer comportamento fora dos padrões seria motivo para que essa mesma sociedade o recriminasse.

Oriundo do norte do Amazonas, Pedro fora criado em meios a tribos indígenas, embora não fizesse parte dessa comunidade e fizesse leituras extracurriculares de Foucault, e não compreendia seu gestor por este obriga-lo a se comportar de modos contrários aquilo que ele vivenciava; andar descalço, sair com poucas vestimentas, tomar banho ao ar livre. Sociedade do controle?

Com dezoito anos o rapaz confuso decidiu, por pressão do pai, mudar-se para um espaço urbano em busca de respostas e de uma renda capitalista. È o estudo da ecologia humana os deslocamentos humanos em busca de objetivos. Optou por Brasília, “coração do estado brasileiro” e onde queria se alistar no exército. Do serviço militar, logo foi dispensado, embora pudesse conhecer a disciplina pelo qual todos os alistados eram submetidos.

Sem ter sucesso em conseguir emprego e não tendo lugar onde pudesse repousar no fim do dia, Pedro começa a vagar pelas ruas, trepando em algumas árvores que ainda encontrara em busca de frutos para se alimentar. Logo passou a pedir moedas e comidas nos portões das casas de “senhoras de respeito” para que pudesse matar sua fome. O costume de pedir tão logo passou a ser sinônimo de incômodo e ele passou a ser estereotipado pela sociedade de vagabundo, já que não trabalhava e nem estudava, ou seja, não tinha nenhuma “ocupação” que fosse reverenciada pela sociedade, nenhum processo disciplinar.

Não demorou muito para que ele notasse a repulsão que os indivíduos ditos “normais” nutriam pela sua pessoa. Sentiu-se então como Gregor Samsa, de A Metamorfose. Será que a sociedade ainda se comporta como Kafka criticou? Na busca por tentar reverter àquela situação passou a mostrar aquilo que detinha e que ninguém haveria de tomar: Seu conhecimento e sua sabedoria. Então, começou a explicar as indagações de Nietsche, Deleuze e Foucault para todos aqueles que se aproximavam em troca de algum centavo. As pessoas passaram a questionar como um homem de costumes tão “impróprios” e ao mesmo tempo tão inteligentes poderia acabar daquele modo. Julgaram então como um louco.

Mas até esse momento o provável distúrbio mental do jovem Pedro ainda não tinha causado tanto espanto e coação. Até o momento do banho de cueca no chafariz.

Depois de passar uma noite na sala úmida e abafada de uma delegacia, talvez o lugar mais confortável que passara a madrugada desde sua saída do exército, saiu da prisão, lugar que na teoria significa reeducação, mas que na prática não é vivenciada com esses preceitos. Direto para as ruas foi agora denominado “homem perigoso” com ficha policial, uma ameaça para o convívio social.

Sendo observado por todos e todas, o olho que tudo vê deixa nosso “velho herói” encalistrado que a cada dia se esquivava tornando um ser introspectivo e arisco fato que geraria a constatação “para os outros” da sua loucura. A sociedade passa a monitorá-lo. È o controle do “Homem” sobre o homem. O biopoder.


Por: Jacy Nunes

A Arte de Governar

Pinzoh, abaixo segue o meu escrito a respeito do texto A Governamentalidade, com a diferença de que resolvi seguir outra linha de abordagem, distante de resumo, pois entendi que a atividade consistia em fazer um texto dentro do texto dado. Desculpe pela demora, só pude te enviar hoje pois em jaguarari, por conta das chuvas, a net caia toda hora e na segunda-feira fiquei meio adoentada. Aí vai.
A Arte de Governar

Uma das grandes possibilidades existente no universo lingüístico é a utilização dos <> das palavras, com vias a reconstruir seus significados, ou as “mil faces secretas sob a face neutra” no dizer poético Drummondiano, ou seja, sermos capazes de pôr um nome na intimidade de uma coisa e recomeçar o talento de existir. Por conta disto, as palavras Arte e Governo, embora pertençam a diferentes constelações de signos ou diferentes corredores isotópicos, podem ser propositadamente resignificadas. Isso porque, dessa comunhão, nada infringe o princípio de que toda enunciação deve estar intimamente ligada ao contexto do qual emana. Um ponto obscuro, de difícil resolução para quase toda teoria: qual deve ser a terminologia adequada para se tratar de tal tema, e qual será o limiar da linguagem verbal torna-se insuficiente à explanação de um outro modo de pensar - que necessitaria da adoção das demais semioses.
É importante destacar que as palavras estão fundamentalmente ligadas à fabricação do mundo, das realidades e das teorias, e não como singelas peças de reprodução- como alguns também insistem em ver o ofício dos jornalistas. Portanto, quando Foucault opõe o modo de Governar ‘maquiavélico’ do exercício de governo como Arte, descrevendo detalhadamente as manobras estatais para se alcançar as zonas conscientes e inconscientes das populações, que seriam o fator preponderante dessa modalidade de governar, organiza-se também dentro do conceito de polícia, ciência política que regula a sociedade pelos seus dispositivos de segurança, um outro tipo de controle que é o do discurso.
Questionar-se Como? Porquê? Com que finalidade? uma população concordará com a soberania nas diversas formas históricas de Governo implica em detectar quais estratégias discursivas- além das táticas e das técnicas- coordenaram o estabelecimento e a aceitação de uma representação para o “interesse geral”, que verdadeiramente não passa de uma abstração das vontades reais de cada ser humano. Mas o fato é que esse fenômeno existe e funcionaria mais ou menos como um orador( representação do Governo) frente a um auditório( população). O universo de sentido propiciado pelo discurso impõe-se tanto pelo ethos -- categoria citada por Dominique Maingueneau nos seus estudos de Comunicação – como pelas idéias que transmite. Na realidade, essas idéias se apresentam por intermédio de uma maneira de dizer que remete a uma maneira de ser, à participação imaginária da população em uma experiência vivida; são os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório(pouco importa sua sinceridade) para causar boa impressão, são determinações físicas e psíquicas ligadas pelas representações coletivas à personagem do Governo, o que lhe atribui um caráter e uma corporalidade. E estes, segundo Maingueneau, provêm de um conjunto de representações sociais valorizadas ou desvalorizadas, sobre as quais se apóia um discurso que, por sua vez, pode confirmá-las ou modificá-las. Finalmente, esse tipo de incorporação permitirá a construção de um corpo governamental: o da comunidade imaginária dos que comungam na adesão de um mesmo discurso.
Optar por uma explanação concernente ao arcabouço lingüístico dado por Michel Foucault ao tema da Governamentalidade como um dos mecanismos de poder é essencial na medida em que atribui às palavras, aos signos e aos discursos em geral vital importância nas discussões sobre poder; quando, por exemplo, um discurso torna-se o lugar de uma afirmação se interditado por diversas vezes. Também reafirma uma coerência com grande parte dos textos de Foucault, a exemplo de A Ordem do Discurso, que trata especificamente da autonomia do discurso e dos mecanismos de sua interdição.

FOUCAULT, Michel. Microfisica do poder. Rio e Janeiro: Edições graal, 1979, p. 277-293.
FOUCAULT, Michel.A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1999

MAINGUENEAU, Dominique. Análise de textos de comunicação . São Paulo: Cortez, 2004.

Poema “Procura da poesia” de Carlos Drummond de Andrade
(MARIANA)

Biopoder, biopolítica e o tempo presente

O texto que li foi o “Biopoder, biopolítica e o tempo presente”, de Antônio Cavalcanti Maia.do livro “O Homem-Máquina”.

O texto em questão é bastante atual, e mostra as relações da organização social, como e porquê as políticas são realizadas, e qual o papel do homem atual nesta mesma sociedade.

O humano é focado em sua condição de corpo, mero corpo a ocupar um espaço numa sociedade sistematizada e com funções específicas. O mundo industrial que vivemos, cada função é importante para a equação final (entende-se como equação final o tempo presente, que mesmo caminhando sempre à um futuro presente, jamais deixa de ser presente) e o corpo humano é fundamental para o funcionamento dos mecanismos mecatrônicos, por isso as industrias empregam pessoas de ambos os sexos, pois o importante é o corpo agindo mecanicamente.

A medicina hoje serve para deixar os corpos preparados para o trabalho, neste sentido o texto diz que a medicina deixou de ser um bem privado para ser um bem público, pois é a população operária que fazem a indústria funcionar, e este corpo deve ser preservado para que possa fazer nascer novos corpos para a engrenagem social continuar operante.
Os “corpos” fazem parte da “sociedade” humana, e esta possui leis e ordens morais e cívicas que delineiam a boa conduta e estereotipam os “mocinhos e mocinhas” da grande novela que é a vida. Falando em novela, estas também são formas de educar a população para uma homogeneização de caráter e expectativas de vida. Os sonhos individuais são fabricados em massa e postos à venda nas livrarias, rádios, televisores, cinemas e no meio da rua.

Na sociedade de hoje uma outra questão que chama a atenção no texto é a relação de redes no dia a dia empresarial e individual. A sociedade informatizada possui imensos bancos de dados sobre as populações e sobre cada indivíduo ou bem produzido. O novo “big brother” do século XXI não necessariamente olha o indivíduo de forma direta, mas sim de todos os lados, o poder de rastreamento da sociedade alcançou tamanho nível que é possível saber via satélite e via cadastros uma gama de informações a cerca de pessoas e produtos.

Marcos Élder Vieira de Carvalho

O BIOPODER


O biopoder

( baseado no texto Biopoder, Biopolítica e o tempo presente de Antônio Cavalcanti Maia)


A partir da década de setenta Michel Foucault identifica na sociedade o biopoder que seria segundo Adauto Novaes “processos que acarretam uma progressiva organização da vida social, por meio de meticulosos rituais de poder que têm como objetivo o corpo”.

Maia identifica ainda que a lei de exercício do poder é aquela do corpo a corpo, de corpos que se aplicam sobre outros corpos para educá-los, fabricá-los. O poder é ao mesmo tempo causa e efeito. Como exemplo tem o uso dos espartilhos onde a tecnologia do eu servia de exemplo para todos da sociedade, ou seja, toda uma comunidade servia-se de algo igualitário a todos. Era na verdade a disciplina igualitária.

Ainda vivemos resquícios dessa sociedade de controle vista em todo o século XVIII e meados do século XIX, a disciplina aprendida, principalmente, nas escolas onde alunos de todo mundo eram e ainda são em muitos lugares obrigados a usarem fardas, ou sentarem em lugares marcados, são exemplos claros dessa tecnologia de controle. Cada aluno não pode ter explorada suas particularidades, pois se entraria no caso de “fuga de regra” e a sociedade procura através do controle, evitar perturbações a moral a aos costumes do lugar. Esse tipo de norma social ainda tão comum a nosso “pensamento pós-moderno” nos faz, por exemplo, pensar duas vezes antes de tomar uma determinada postura social em um lugar público, escolher esta ou aquela roupa etc.

O poder do corpo sobre outro é uma forma de tecnologia de controle, pois perpassa pela ordem política, o controle do tempo, iniciado com a revolução industrial, é fator determinante para uma sociedade capitalista bem definida. O homem que governa o outro impõe suas subjetividades a respeito da vida. O poder disciplinar é, a um só tempo, “massificante e individuante, isto é, constitui num corpo único aqueles sobre os quais se exerce, e molda a individualidade de cada membro do corpo” (Deleuze, 1992, p. 223).

Como vimos no texto de Antônio Cavalcanti Maia a disciplina tem princípios básicos que são:

ela é uma arte de distribuição espacial dos indivíduos – ou seja, através do controle dos corpos e dos espaços a sociedade pode ser modificada excluindo quem é mal visto pelos demais, ou quem é taxado de louco por exemplo.

a disciplina exerce seu controle não sobre o resultado de uma ação, mas sobre seu desenvolvimento – as ações oriundas da disciplinaridade não têm por objetivo adequar apenas um ator social às normas, mas todo um conjunto de indivíduos atuante num contexto. O trabalho de disciplinar é global e não unitário, é um meio prático e seguro de ordenar corpos na sociedade.

é uma técnica de poder que implica uma vigilância perpétua e constante dos indivíduos – é o que podemos falar hoje das câmeras de segurança instaladas em praticamente todos os lugares ou dos cadastramentos de dados que fazemos na web; a sociedade hoje, portanto, utiliza-se de dispositivos de controle altamente eficientes.

funciona por meio de um controle minudente do tempo – como já falamos o tempo é a palavra de ordem para a sociedade capitalista, qualquer desperdício é evitado.

É interessante dizer que o biopoder está diretamente ligado as novas formas de tecnologia e informação, a tecnologia hoje nos reduz a números, códigos que uma vez digitados viram nossa impressão digital, em sentido completo da palavra.

O que preocupa é que com a chegada de novas tecnologias os atores sociais tornaram-se iguais, a humanidade caminha em uma só direção, a era das máquinas chegou e nossa condição de homem é caca vez mais escassa, somos os mesmos vigiados de anos atrás, mas agora com um maior aparato científico. As tecnologias da informação caminharão então para dois sentidos. De um lado a formação contínua do que vemos hoje, todos iguais, com objetivos de vida semelhante e iguais enquanto “modificador” da sociedade. E de outro haverá a construção de um novo homem, alheio a formas tecnológicas e tido como incapaz por outros milhões, assim como vemos hoje, de um lado uma capital cheia de recursos financeiros e econômicos, utilizando-se de tecnologia de ponta. De outro, bem ali perto um homem pobre que sequer sabe escrever seu nome, ou tem água para beber.

O biopoder aliado a tecnologia pode ser o construtor de uma sociedade mais justa e não igualitária do ponto de vista da subserviência e da disciplina, mas pode dar a chance de trazer indivíduos excluídos à nossa esfera social. Tornar homem o homem e não máquinas fabricadas dia após dia pelas famílias, escolas e empresas.


Audimara Lima 7º período de Comunicação Social

O OLHO QUE TUDO VÊ?

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS – DCH III
CURSO: COMUNICAÇÃO SCOAIL – JORNALISMO EM MULTIMEIOS
DISCIPLINA: TEC. INF. SOC. E COMUNICAÇÃO
PROF: PINZOH SEMESTRE 2007.2
ALUNA: DALILA SANTOS 7º PERÍODO




O OLHO QUE TUDO VÊ?

Panóptico, o olho que tudo vê... Antes de nos atermos ao texto base para a confecção deste texto secundário, gostaria de questionar o que esse olho que tudo vê realmente vê. Ele observa todos os passos, gestos e comportamento dos indivíduos que estão sob seu domínio. Agora, ele seria capaz de saber o que se passa na cabeça de casa um dos vigiados? Quais são seus pensamentos e sentimentos?

Poderíamos analisar da seguinte maneira: as atitudes e os comportamentos são gerados da junção de diversos elementos, entre eles os sentimentos e os pensamentos. Mas todo e qualquer indivíduo tem a capacidade de disfarçar a sua verdadeira personalidade, vide os famosos Big Brothers da vida. O olho que tudo vê serve como uma ferramenta de inspeção, onde as pessoas são vigiadas e controladas, mas não totalmente codificadas.

Nas cinco cartas escritas por Jeremy Bentham no século XVIII, observamos a construção de um modelo de edifício, criado como penitenciária, mas utilizada em outras instituições como escola, hospitais e hospícios. O autor dos textos nos descreve como se deve constituir um local onde se possa exercer domínio sobre as pessoas confinadas naquele lugar. A ferramenta tecnológica utilizada por ele para a execução desse modelo de dominação é a arquitetura. Através da construção de um edifício onde o observador-mor fique no centro e os observados fiquem ao seu alcance em sua totalidade.

Nesse modelo de construção civil, a intenção é que todos, inclusive os funcionários do local, tenham seus passos observador e controlados por alguém que “tudo vê” e que nunca é visto. Todos estão naquele ambiente passando por um processo de disciplinação. Dessa maneira, constitui-se um sistema de informações, tudo o que acontece dentro daquele edifício é monitorado e analisado, gerando uma série de informações sobre os indivíduos que constituem aquele espaço. A catalogagem dessas informações geram estatísticas, considerada outra tecnologia de poder. Através delas geram-se informações sobre todos os aspectos: origem dos indivíduos, idade, perfil psicológico, motivo pelo qual foi aprisionado (no caso de hospícios e penitenciárias) etc.

As tecnologias utilizadas como ferramenta de poder e as informações geradas através delas definem regras, que através de um sistema disciplinar, juntamente com o espaço social e as rotinas estabelecidas, iram constituir modelos padrões de enunciados. Esses últimos definiram o que é certo e o que é errado dentro de uma sociedade. A relação tecnologia, informação e sociedade é um ciclo onde todos são dependentes uns dos outros.

Os enunciados gerados em um determinado espaço, como as penitenciárias, transpassam os muros desses prédios e chegam à sociedade como regras a serem cumpridas. Outro espaço, que constitui uma série de enunciados e que está inserido no modelo panóptico é a escola. Nela somos vigiados, controlados e disciplinados durante grande parte de nossas vidas. Os enunciados gerados dentro desse espaço em sua maioria serão carregados pelos indivíduos pelo resta da vida. A escola pode ser considerada uma das maiores, senão a maior, ferramenta de poder. É uma geradora infinita de informações e constitui um grande globo de enunciados admitidos, em quase sua totalidade, pela sociedade.

A GOVERNAMENTALIDADE

Texto: A GOVERNAMENTALIDADE

Na segunda (24/03), após a aula, perguntei a Pinzoh qual deveria ser o estilo do texto que ele solicitou e que vale metade da nota da primeira unidade. Ele respondeu apenas que deveria ser do jeito que eu quisesse. Disse ainda, que valeria até mesmo uma poesia. Então pensei: pô! Se eu fosse poeta como Germano, Vinícius ou Daniel, seria fácil. É, eu não sou.
Pior do que essa triste conclusão foi chegar em Pilar (local onde moro) e perceber que havia faltado energia.
Quando a energia voltou, eu já havia tentado iniciar o trabalho, mas ainda não tinha conseguido produzir nada. O fato é que já passava das 23:30 e eu sequer havia começado o texto. De repente veio a luz – dessa vez no interior da cabeça: Eles quem? Aí eu escrevi essa loucura que vocês vão ler agora.
Ah! Por incrível que pareça, eu gastei mais tempo fazendo o diálogo abaixo do que fazendo essa introdução. Acreditem.

- Polícia, para que polícia? Polícia é para quem precisa.
- Quem precisa?
- Eu, tu, eles...
- Eu, sim. Tu, também. E eles? Quem são eles?
- Eles são aqueles.
- Aqueles quem? O que eles pensam que são?
- Bem! Aqueles que governam.
- Governam? Só se for você. É isso que governam? Para que governo? Quem precisa dele?
- Nós.
- Nós é muita gente. Nós quem?
- Eu, tu, eles...
- Só resta agora dizer que eles também precisam de nós.
- É verdade. Eles precisam.
- É loucura. Para que precisam?
- Ora! Para que o vaqueiro sem boiada?
- Vaqueiro? Boiada?
- Sim! Alguém precisa levar até o curral, aqueles que já conhecem o caminho.
­- Que caminho? Onde você quer chegar?
- Estou esperando que me digam que caminho seguir.
- Esperando? Quem você espera?
- Pelo governo. Pelo soberano. O “olhar superior”.
- Governo? Olhar superior?
- Sim. Já sei que devo trabalhar, estudar, me vestir bem, não usar drogas ilegais, chegar cedo, sair tarde, “olha a hora que você chega. Depois de ‘tal hora’ você toma falta”. Devo andar “assim”, e não “assado”. Posso falar “isso”, mas não “aquilo”. Se alguém diz: que tal uma cervejinha? Eu digo que não posso. “só no final de semana. Afinal, beber no meio de semana é coisa de desocupado.
- Que loucura!
- Que verdade, não?
- Quem te disse isso?
- Foram eles.
- Eles quem?
- Aqueles que governam.
- O papo ta bom mas tenho que ir.
- Já? Qual o problema?
- É que já se passaram os dez minutos de intervalo e logo depois do “recreio” @ ti@ faz chamada.
- Quem te disse?
- Eles.
- Eles quem?


Álvaro Luiz

terça-feira, 25 de março de 2008

Governar, Governo, Governamentalidade e suas Instâncias


Em sua obra, A Governamentalidade Michel Foucault analisa os principais dispositivos de segurança, procurando perceber como surgiram historicamente os problemas da população, chegando a partir daí no surgimento do ‘governo’. O autor elucida questionamentos de como ser governado, por quem, até que ponto, e com qual método. Ele analisa as literaturas do século XVI vinculadas à obra do príncipe de Maquiavel, que traz em seu contexto considerações de como um príncipe consegue manter sua soberania perante seus súbitos, citando autores como Guillaume de La Perriére que assumem uma posição de oposição e recusa à obra da arte de governar citada por Maquiavel.

A arte de governar para Foucault tem uma relação restrita com segurança, população e governo e esteve ligada desde o século XVI ao desenvolvimento do aparelho administrativo da monarquia territorial, rompendo com a tradição da teoria jurídica da soberania, fundamentada no governo do território. Segundo Foucault, o governo é uma correta distribuição das coisas e não somente o território e seus habitantes.

Michel Foucault examinou como o poder se “organizou” de modo a produzir certas práticas discursivas e não-discursivas. Trata-se de práticas que funcionaram como condições de possibilidade para a emergência da noção moderna de Estado e de tudo o mais que se implica tanto na vida política de hoje, quanto nas próprias tentativas de constituir o sujeito moderno.

Analisando as dificuldades que se estabeleceram, ao longo do século XVII, pelo embate entre a soberania e a família, Foucault nos mostra que a arte de governo, esse conjunto de saberes que estabelece uma racionalidade própria, particular ao Estado, só conseguiu se desbloquear quando mudaram as condições econômicas e demográficas da Europa e, por isso mesmo, se articulou o conceito moderno de população e, na esteira deste, também o conceito moderno de Economia. Também o conceito de governo mudou no sentido de se restringir. Se, pelos fins do Renascimento, governar não se referia apenas à gestão política e do Estado, senão que se referia também “à maneira de dirigir a conduta dos indivíduos ou dos grupos”.

Na Modernidade o uso da palavra governar se restringiu às coisas relativas ao Estado. O filósofo nos mostra que o estreitamento do significado de governo decorreu do fato de que “as relações de poder foram progressivamente governamentalizadas, ou seja, elaboradas, racionalizadas e centralizadas na forma ou sob a segurança das instituições do Estado”. É daí que se coloca uma nova questão política para a Modernidade: a relação entre a segurança, a população e o governo. Para dar conta dessa questão, a arte do governo começou a tornar-se Ciência Política. Todo esse processo é resumido pelo filósofo nas seguintes palavras: “Em suma, a passagem de uma arte de governo para uma ciência política, de um regime dominado pela estrutura de soberania para um regime dominado pelas técnicas de governo, ocorre no século XVIII em torno da população e, por conseguinte, em torno do nascimento da economia política”.

Por tanto, governamentalidade, não é uma instância central do estado moderno, são práticas de governo com ações distribuídas por todo o tecido social.

TEXTO 01: A GOVERNAMENTALIDADE – In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979, p. 277-293.

Por: Lidiane Cavalcante, Natália Aguiar e Rebekka Ott

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Panóptico (Ou o olho que tudo vê)


Texto 03: O panóptico ou A casa de inspeção – IN: SILVA, Tomaz Tadeu da (org). O Panóptico. Jeremy Bentham – Belo Horizonte: Autêntica, 2000, pag. 15- 26.

Por Germano Xavier

De cara o título do texto já me conquistou.

Fiz uma espécie de separação, talvez resquícios de uma cadeira ou outra do curso de Letras que faço. A junção do termo “Pan”, do grego “Pantós”, e o seu significado de abrangência, de totalidade... com o termo “Óptico”, do grego “Óptikos”, respeitante à visão, ao enxergar as relações humanas e o mundo, ocasionou curiosidade em mim. Eu estaria diante do “Olho que tudo vê”, do grande escritor e filólogo J.R.R. Tolkien? Por admirar a saga fantástica escrita por este mestre da fantasia, escolhi o texto de Jeremy Bentham. Era dúvida também se esse texto faria uma conversa paralela com os programas estilo “Reality Show” televisionados por “mundos” não tão distantes. Era dúvida, sim, mas eu precisava ler o texto.

E li.

O mundo passou por mudanças. O mundo muda, sim, sempre. Ele é mutável. O homem é mutável, ele muda. As relações sociais mudaram, em todas as esferas possíveis. O contato Homem X Poder mudou, muda, é mutável. Não foi diferente durante a Idade Média, trevas que não sei onde. Não foi diferente nos anos e séculos após o “fim” da Idade Medieval.

Um dia tudo fica velho, perde seu valor ou perde seu mérito existencial. Aí surgem novas coisas, novas idéias, novos homens. E a mudança de paradigma é sempre uma batalha “dente por dente, olho por olho”. O estratagema escolhido para se alavancar muros novos é um signo difícil de ser elaborado.

O estratagema.

Jeremy Bentham quebra os vidros opacos da frente de nossos olhos e revela o novelo de lã que é o alicerce de uma instituição social-humana. O presídio é a fonte de análise, o projeto de sustentação de seus valores enquanto presídio e enquanto aparelho funcional. O seu destinar, o seu “para quem, como?”... Da planta ao telhado, a noção de objetivar uma feitura.

Qual a significação? O valor? A forma que isso toma, qual? Um presídio é só um presídio? Quando ele muda de nome? Quando vira Casa de Inspeção? Transforma-se? Como? Para onde vai? Quem é o habitante? É o homem o habitante? É? Não? Sim? De que tipo? Tem tipo? E esse homem, vai? Quem viu? Para onde? É cimento de construção esse homem? Ou é brinquedo de quebrar? Serve? Ou gasta? Como mudar o nome desse homem? Tem como? Há jeito? Há? Como?

No Panóptico, a função básica parece ser o comunicar para descomunicar, olhos para não ver. Há uma preocupação em produzir afastamento, desligamento, incerteza, desnatureza e desinformação. A tal “inspeção” é feita para privar, reter, castrar.

Capa-se a alma do homem. Capa-se o olho. O homem fica cego...

Será mesmo novo esse método? O ordenamento das funções dentro da arquitetura do presídio deve obedecer a um conjunto de ligações, de comunicações. Os tempos modernos pediram uma revisão na forma de o homem se comunicar com o próprio homem, e também com o que a ele parece superior.

Ficou necessário vigiar.

Vigiar: subtende-se controlar. Controlar, palavra de ordem. Controlar o homem, ele próprio.

Controlar...

O Panóptico é a cadeia da alma. Prisão organizada para matar o fantasma da existência. O ver é a arma que trucida, o vigiar é o sabre que esfacela, o espiar é a mata que esconde, o ser-visto é a faca na jugular, morte sem vida, caimento dos ombros, a dor que suga pouco a pouco...

Alguma semelhança com a noção do Big Brother?

O que diria Orwell?

Daria ele um tiro para o céu e comemoraria a existência já antiga de um de seus mundos?! Ou revelaria influências diante das missivas observadas no texto de Bentham? E por que tanta aleivosia? Não é o Panóptico a câmera que te vigia quando atravessas a calçada de teu prédio? Não é o Panóptico a câmera que registra a placa do seu carro na saída do estacionamento? Não é o Panóptico a imagem tua no televisor do supermercado?

O que é mesmo Panóptico?

Existiu ou existe? Velho ou novo? Usa muletas o Panóptico? Quem vai preso? Eu? Você? Todos nós estamos presos? Quais os crimes? Viver? Viver é um crime? Ser homem é um crime? Somos vítimas? Sim? Não? O que somos?

Tijolos de construção? Ou cimento de quinta categoria?

BioPoder, BioPolítica e o Tempo Presente, de Antônio Cavalcanti Maia

A preocupação com a identificação e análise do processo pelo qual se dá a tomada do poder sobre os corpos ocupou o centro dos estudos de Michel Foucault, especialmente a partir da década de 1970. Traçando o caminho percorrido pelas tecnologias de poder e os processos que levaram a uma organização e controle da vida social, o pesquisador francês identifica o conceito de biopoder.

Partindo dessas considerações é que Antônio Maia inicia o texto BioPoder, BioPolítica e o tempo presente, na tentativa de buscar alguns conceitos aplicados por Foucault, que mostra emergir nova linha no cenário das idéias contemporâneas, em maior contato com o desenvolvimento das tecnologias, e uma nova tecnologia do poder.

Como afirma Antônio Maia (p. 84), Foucault “não pretende fundar uma teoria geral e globalizante, e sim trabalhar uma analítica de poder capaz de dar conta do seu funcionamento local, em campos e discursos específicos e em épocas determinadas”. Assim, a superação histórica da forma de poder soberano, dominante na Idade Média, pela emergência do poder disciplinar no final do século XVII, pode ser compreendida como uma decorrência da expansão do sistema fabril na Europa e da progressiva especialização do trabalho que ele demanda. Nessa acepção, o poder disciplinar centra-se no adestramento do corpo, com vistas a um melhor aproveitamento do tempo e concomitante maximização do rendimento do trabalho.

Essas novas relações de poder, agora introduzidas pelas tecnologias, provoca um diálogo e uma necessidade de distinção conceitual entre a “técnica” e a “tecnologia”. Segundo Foucault e reafirmado por Maia, uma técnica disciplinar, centrada no corpo, que manipula o corpo e produz efeitos individualizantes é sobreposta por uma tecnologia que “agrupa os efeitos de massas próprios de uma população (...) que visa, portanto, não ao treinamento individual, mas, pelo equilíbrio global” (p. 78).

A partir do século XIX, de acordo com Foucault, já não importava apenas disciplinar as condutas individuais, mas, sobretudo, implantar um gerenciamento planificado da vida das populações. Assim, o que se produzia por meio da atuação específica do biopoder não era mais apenas o indivíduo dócil e útil, mas era a própria gestão da vida do corpo social. A partir dessa mutação, as figuras do Estado e do poder soberano, das quais Foucault se afastara anteriormente a fim de compreender o modus operandi dos micro-poderes disciplinares, tornaram-se então decisivas, pois constituíam a instância focal de gestão das políticas públicas relativas à vida da população.

No final da década de 70, Foucault chamava atenção para o fato de o biopoder se materializar a partir de duas estratégias distintas, ambas agindo de modo a afirmar a lógica mecânica, a lógica industrial. A primeira delas, correspondendo ao que ele chama de disciplina, centra-se no corpo individual, corpo que a disciplina torna maleável, eficiente. Segundo Foucault, as disciplinas são “métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo, que realizam a sujeição constante de suas forças e lhes impõe uma relação de docilidade-utilidade” (FOUCAULT apud MAIA, p. 82).

Assim, através da disciplina, a modernidade realizou a "distribuição espacial dos corpos", promoveu a "organização de um campo de visibilidade" dentro do qual o fluxo destes corpos pôde ser otimizado. O capitalismo industrial treinou, aumentou e potencializou a vida útil destes corpos. Quanto à segunda estratégia, ela diz respeito ao que Foucault chama de regulamentação da vida humana. Trata-se não apenas de disciplinar um "homem-corpo" pensado como inteireza, individualidade, mas de exercer um controle sobre o "homem-vivo", sobre a vida pensada em bloco, sobre o ser humano concebido como "ser-espécie".

Portanto, faz-se necessário perceber as linhas fundamentais que agora diferenciam as práticas biopolíticas nas sociedades industriais e nas sociedades de informação: no primeiro caso a vida é uma substância maleável, que pode ser reproduzida e modelada dentro de limites mais ou menos claros; no segundo caso, trata-se da digitalização e produção da vida. Enquanto o corpo moderno tem se mostrado plástico, adaptável às pressões do capital, o capital biotecnológico contemporâneo prescinde da própria inteireza de corpo ou dos limites da espécie para se reproduzir e produzir a vida.

Por Paulo Victor Purificação Melo
7º semestre de Comunicação Social

domingo, 23 de março de 2008

A GOVERNAMENTALIDADE, de Michel Foucault

Michel Foucault em sua obra, A GOVERNAMENTALIDADE, procurou debruçar-se em torno dos conceitos e teorias sobre as formas de governos, desenvolvidas principalmente após “O Príncipe” de Maquiavel. Partindo dessa obra, considerada como um dos principais manuais de orientação de como um Príncipe deve governar, e como deve conservar a sua soberania sobre os seus súditos, Foucault procurou analisar a problemática que gira em torno da idéia de governo.
Com as transformações ocorridas nos vários setores da sociedade, principalmente a partir do século XVI, o conceito de governamentalidade passou a ser questionado. Mudanças com a formação dos Estados Nacionais e no pensamento religioso, exigiu-se também mudanças no processo administrativo – o ato de governar. Partindo dessas transformações, o sentido da palavra governo passa a ser questionada, no qual, proporcionou o surgimento de outra literatura que vai de encontro com o pensamento de Maquiavel, são os “anti-Maquiavel”. Enquanto que Maquiavel define que governar é gerir território e populações, deixando clara a soberania do príncipe sobre os homens, os teóricos “anti-Maquiavel”, defende que no governo existe uma multiplicidade de formas e que muitos podem governar.
Partindo dos textos do “anti-Maquiavel”, Guillaume de La Perriére, Foucault procura caracterizar essa “arte de governar”. Para La Perriére, “governo é uma correta disposição das coisas de que se assume o encargo para conduzi-las a um fim conveniente”. Ou seja, governar seria exercer o poder sobre as coisas e não só sobre o território e seus habitantes. Estas “coisas” seriam, portanto, a relação dos homens com suas riquezas, recursos, territórios, costumes, hábitos, climas, etc. Por isso, “governar é governar as coisas”. Partindo desse novo conceito da arte de governar, Foucault põe em questão, também, a idéia de soberania encontrada na obra de Maquiavel. Essa nova forma de governo define que “para ser um bom soberano, é preciso que tenha uma finalidade: ‘o bem comum e a salvação de todos’”. Sendo que esse “bem comum”, termo muito usado por jurista é desconsiderado por uma outra definição de governo de La Perriére, no qual “o governo é definido como uma madeira correta de dispor as coisas para conduzi-las não ao bem comum , como dizem os textos juristas, mas a um objetivo adequado a cada uma das coisas a governar”.
Um outro problema levantado por Foucault está ligado a problemática da população, o qual seria objetivo final do governo, que tem como função melhorar a sorte da população, aumentar a sua riqueza, sua duração de vida, sua saúde, etc.
Por fim, Foucault considera que as “relações contínuas e múltiplas entre a população, o território, a riqueza, etc., se constituirá uma ciência que se chamará economia política e, ao mesmo tempo um tipo de intervenção política”, o que resultaria na passagem de uma arte de governo para uma ciência política, que serão desmembrado a partir do século XVIII.

Iuzicleide Ferreira; Jaquelline Nascimento e Michele Rodrigues

Governamentalizar - Maria Isabel Edelweiss Bujes

O processo de aculturação do ser humano o conduziu a convivência social, impulsionando-o a organização das formas de viver segundo objetivos ora amplamente aceitos, outrora situações de imposição do poder. A conduta do individuo se estabelece dentro da sociedade conforme é guiada por si ou pelo outros (instituições, estado, religião) sofrendo alterações e enquadramentos para justificar os fins da técnica de governar.
Segundo Foucault a governamentabilidade institui relações de poder que utiliza de formas racionais de pensamento, de jogos estratégicos e tecnologias para sobrepor o olhar soberano a frente da população. São estes aparatos que ajudam o governo ou estado, a tratar da população sem descuidar-se do individuo.
As tecnologias utilizadas dentro da governamentabilidade trazem do individuo a possibilidade de subjetivação e reflexão sobre o eu, enquanto este procura guiar sua conduta de acordo com os parâmetros institucionais, que são compostos por relações assimétricas com o poder Estatal.
O método da escola moderna é um dos principais exemplos do exercício da governamentabilidade, em que são formuladas as crianças, praticas que representam à sociedade, utilizando as microtecnologias, para tornar o meio mais aceitável às idéias políticas impostas. Ainda na infância o individuo é entregue a um conjunto de práticas e rotinas e rituais institucionais que são focados em metas para desenhar a conduta social de cada homem e encaminhá-lo a procedimentos elaborados com a finalidade de atender fins das racionalidades governamentais, apontada por Foucault com as tecnologias do governo.
Os regimes particulares de verdade, chamados sistemas de expertise por Maria Isabel Edelweiss, autora do texto, são uns dos modos de utilizar as tecnologias como painel para exposição das informações trazidas por especialistas, os quais definem a forma de governar as crianças e compreender suas ações enquanto parte importante da sociedade. A infância “conduzível”, pois a racionalidade de descrever onde está o poder e quem é capaz de determinar a conduta dos outros homens, sem aparentar invasão ou distúrbio no meio social.
Certas práticas disciplinares são modos de utilizar tecnologias para impor um “comportamento” regrado e descrito por Isabel Edelweiss, como autodisciplinamento. “De modo que os sujeitos mantenham a si mesmo e aos outros sob controle”. Para tais fins, a governamentabilidade se apropria de dispositivos de subjetivação, que incitam a constituição do ser. As relações entre instituições, comunidade e estado exercem influencia sobre os indivíduos que estão integrados a este processo tanto em áreas onde o governo é periférico, quanto na sua forma central, ambos, utilizando a governamentabilidade como firma maneira de interagir entre as tecnologias (rotinas, aparatos) de denominação social ou apenas do próprio sujeito.
Governamentalizar é utilizar as informações absorvidas por meio das tecnologias para compor o cenário social melhor e adequar o indivíduo, sujeito de si, ao seu “habitat” ou a sociedade, trazendo ao homem a potencialidade de aprender a ser senhor de si mesmo e dos outros, mas, dentro das regras que são resultado das relações de poder que todos participam, sejam problematizando os conflitos ou os solucionado.

Maria Gisele e Sheila Gomes

Panóptico ou a Casa de Inspeção: contando a idéia de um novo princípio de construção. Jeremy Bentham

"Panoptico ou a Casa de Inspeção", é um conjunto de cartas de duas pessoas que se correspondem a fim de discutir a construção de um novo modelo para uma casa de inspeção, ou seja, um presídio. No decorrer de todo o texto são colocadas estratégias associadas ao projeto arquitetônico do prédio, com o intuito de obter um resultado satisfatório, não só na estrutura física do local, mas, principalmente, no cumprimento de sua função como instituição.

Com o fim da Idade Média e todas as mudanças que marcaram a sua transição para a Modernidade, era preciso pensar em modelos institucionais adequados à nova estrura social que se fazia presente. No que diz respeito ao sistema de segurança, Jeremy Bentham sugere o Panóptico como meio mais eficaz para sanar as deficiências dos sistemas mais antigos de vigilância.

Os mecanismos utilizados na construção da casa são o que pode-se nomear como as tecnologias desenvolvidas para o cumprimento de seus fins. O estabelecimento de um prédio circular com celas separadas entre si, ocupando toda a cincunferência e a presença de um inspetor no seu centro, observando todo o movimento do ambiente, por exemplo, foram estratégias pensadas de forma a impedir a comunicação entre os presos e para mantê-los sobre rígida vigilâcia. Portanto, as decisões não são tomadas ao acaso. Existe um plano, um projeto para as coisas acontesserem desse modo.

Assim, estabelecia-se uma condição na qual o controle social era exercido por uma relação psicológica de poder entre o inspetor e os presos. O primeiro, era um observador invisível e os outros eram os controlados, vigiados por todos os lados. Uma espécie de "Big Brother", no qual o prêmio estava muito distante de um milhão de reais.

Hoje, as estratégias utilizadas naquela época não foram desprezados, e sim, aprimoradas. O princício do controle social continua sendo exercido, mas agora de forma diferente. O inspetor não precisa mais fazer o trabalho pesado. Ele é apenas o idealizador desses mecanismos. Pois agora são os indivíduos que de forma consciente ou inconsciente vigiam-se uns aos outros, a fim de manter o controle e a ordem na sociedade.

Eneida Trindade, Leônidas Vidal, Livia Orge e Patrícia Teles

sábado, 22 de março de 2008

O Panoptismo: mecanismo ideal de poder


Mudanças sociais ocorridas no séc. XVIII e XIX levaram a alterações do jogo do poder, que foi sendo gradativamente substituído pelo que Foucault denomina de sociedades disciplinares, as quais atingiram o seu apogeu no século XX. A passagem de uma forma de dominação a outra ocorreu quando a economia do poder percebeu ser mais eficaz e rentável vigiar do que punir .

Coube às sociedades disciplinares organizar os grandes meios de confinamento, os quais tinham como objetivo concentrar e compor, no tempo e no espaço, uma forma de produção cujo efeito deveria ser superior à soma das partes. O indivíduo não cessava de passar de um espaço fechado ao outro: família, escola, fábrica, universidade e eventualmente prisão ou hospital.

O Panóptico é a utopia de uma sociedade e de um tipo de poder que é, no fundo, a sociedade que atualmente conhecemos utopia que efetivamente se realizou. Este tipo de poder pode perfeitamente receber o nome de panoptismo. Vivemos numa sociedade onde reina o panoptismo. Com o Panóptico e vai produzir algo totalmente diferente. Não há mais inquérito, e sim vigilância e exame. O Panóptico teve uma tríplice função à vigilância, o controle e a correção.

O dispositivo panóptico, descrito por Michel Foucault em Vigiar e Punir, constitui uma ‘máquina’, idealizada por Bentham no século XVIII, cuja arquitetura é formada por uma torre central e uma construção circular periférica. Nesta se encontram indivíduos a serem vigiados – prisioneiros, loucos, escolares, trabalhadores, isolados em células, formando “uma coleção de individualidades separadas” – enquanto naquela se encontram os vigias. As salas da construção periférica são determinadas por janelas externas (por onde entra a luz) e por janelas internas (frente à torre central). E é justamente essa a eficiência do dispositivo panóptico: “ver sem ser visto”; à torre é possível ver tudo o que acontece no prédio externo, ao passo que este nem sabe se é, ou não, vigiado. “A visibilidade é uma armadilha”.

Segundo Foucault (1990), o poder é uma prática social e, por isso mesmo, é constituído historicamente e articula-se com a estrutura econômica. O que Foucault chamou microfísica do poder significa tanto um deslocamento do espaço de análise quanto ao nível que este se efetua. De acordo com a sua categorização, as sociedades e os seus respectivos regimes de visibilidade podem ser divididos em: sociedades de soberania, onde o rei ou senhor exercia o poder, por meio de uma vigilância externa e geral; sociedade disciplinar, na qual as instituições são um dos maiores dispositivos de visibilidade, principalmente com relação ao funcionamento dos operários institucionais; e sociedade de controle veio substituir a sociedade disciplinar, na qual ocorre a implementação progressiva e dispersa de um novo regime de dominação, ou seja, o exercício do poder a distancia.

Atualmente, encontramo-nos numa crise generalizada de todos os meios de confinamento da sociedade disciplinar e assistimos à instalação de uma sociedade que controla à distância. Desse modo, a crise das instituições modernas representa a implantação progressiva e dispersa de um novo regime de dominação. A lógica da sociedade disciplinar é analógica, ou seja, descontinua e diferenciada em cada confinamento, enquanto a da sociedade de controle é numérica e constante.

Exemplos do panoptismo foucaultiano na sociedade contemporânea são vários, principalmente nos Reality Show, programa voltado para um público ávido para assistir o que acontece na casa do "vizinho", virou febre. Foi uma fórmula importada na busca desenfreada pela audiência, apostando no sucesso do inusitado, cheio de recursos tecnológicos, na conquista da mídia e na invasão definitiva da privacidade alheia, é claro. O programa televisivo Big Brother Brasil, da rede Globo, relembra a estrutura de Bentham do século XVIII – “ver sem ser visto”. Os participantes ficam confinados dentro de uma casa, observados por dezenas de câmeras e milhões de pessoas. Inclusive as relações entre os participantes se assemelham às descritas por Foucault. Os mais disciplinados constroem uma imagem positiva, transmitida para a sociedade externa, que funciona como juíza. Aqueles que transgridem, que se rebelam, são literalmente eliminados. E o programa segue, promovendo seu autofuncionamento por um processo de seleção.

Além desse exemplo pode-se citar o cada vez mais utilizado “disque-denúncia”. Roubos de carros, agressão às mulheres, depredação de patrimônio público, crimes contra a fauna e a flora, contra o trabalho infantil, contra o trabalho escravo, assassinatos, espancamentos, estupro, prostituição infantil, abuso sexual, pedofilia etc. No entanto, contra todos estes males, a sociedade possui um dispositivo que pode atuar a seu favor – mais uma vez a sociedade pode agir. Este é um claro exemplo descrito por Foucault de que os poderes, as relações de forças, não se exercem apenas de cima para baixo, pelos “soberanos”; o poder não é exercido, ele simplesmente acontece, como um processo, agrupando todos os atores sociais, e possibilitando a estes, desde que disciplinados, gozarem de seus benefícios, de sua ordem, de sua manutenção, de sua preservação. Porque, ao fazer isso, o indivíduo funciona como o vigia de Bentham, age em benefício do social. Não apenas isso, ele contribui com a ordem vigente, solitária, imanente e independente do poder, que alimenta esse tipo de sujeito e é alimentado por ele. O poder – a disciplina – é preservado.

Por Micael Benaic
Referência
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Ed. Vozes, 29ed., Petrópolis, 2004.

sexta-feira, 21 de março de 2008

MAQUIAVELISMO X ECOCOMUNALISMO NA SOCIEDADE PÓS-MODERNA


Segurança, população e governo. Essas são as palavras-chave com as quais Foucault inicia o seu texto A Governamentalidade. Traçando um breve histórico sobre os séculos XVI ao XVIII, o filósofo apresenta a mudança de paradigma quanto ao modo e a finalidade do governo, que, do Estado dos Príncipes, transforma-se em Ciência, com um conjunto de normas pela manutenção da ordem.

A territorialidade dos grandes estados, bem como a contra-reforma são alguns fatores apontados pelo autor como determinantes para instaurar na sociedade a reflexão acerca do problema de governar: como ser governado, por quem, com qual objetivo? Essas foram indagações que, mais tarde, embasaram Maquiavel a escrever O Príncipe, descrevendo-o como o soberano absoluto que tudo pode para manter-se no poder. Por outro lado, a literatura anti Maquiavel, principalmente desenvolvida pelos católicos, nos faz pensar numa essência natural e jurídica entre o príncipe e seu principado, ou seja, a “arte de governar”.

Estabelecidas as duas vertentes, La Perriére caracteriza essa arte como práticas múltiplas, já que os sujeitos governantes podem ser pais, professores, opondo-se à singularidade transcendente do príncipe maquiavélico. Le Vayer descreve então, três tipos de governo: o de si mesmo, a moral; a família, economia, teorizada por Rousseau no artigo Economia Política; o Estado, a política. Para esse autor, há uma ascendência entre o que eu nomearia de micro e macro espaço: para saber governar um Estado, é preciso saber governar a si mesmo, sua família, seus bens. É a chamada “pedagogia do príncipe”. Ao mesmo tempo, há um movimento descendente, que faz repercutir na conduta dos indivíduos e na gestão da família ass práticas governamentais. É a chamada “polícia”, espécie de espelho, modelo a ser seguido.

O sentido de economia também passa por modificações.Se antes era uma forma de governo, no século XVIII passa a ser um nível de realidade, campo de intervenção do governo. Perriére defende que governar é dispor de coisas e conduzi-las a um fim conveniente. Pessoas, riquezas, territórios, tudo isso faz parte das “coisas” a serem controladas, como um navio em alto mar. Podemos identificar essa definição no contexto do século XX, não distante de nossa realidade. O jornal Tribuna da Luta Operária, vinculado ao Partido Comunista do Brasil (PC do B), que circulou de 1979 a 1988 pelo país, costumava combater a ditadura militar em sua linguagem marxista-leninista.No exemplar nº 83, a Tribuna associa a crise política do governo de João Batista Figueiredo a um navio desgovernado, onde o timoeiro, o capitão e os marinheiros estão perdidos por não compreenderem sua função: “Apesar de apavorados com o perigo iminente, nenhum deles se responsabiliza pelo erro, e ninguém reconhece que todos são incompetentes para alterar a rota, para tapar os buracos e evitar naufrágio. Assim é o navio desgovernado do regime militar”.

O retorno ao discurso socialista proferido pela Tribuna encontra-se hoje nos discursos de líderes governamentais, como Evo Morales, Bolívia, e Hugo Chaves, Venezuela, que demonstram o quanto a democracia vem sendo criticada pelos mais diversos setores sociais, já que fenômenos com o desemprego, pobreza, resultantes da desigualdade social, continuam vivos na atualidade. Contraditoriamente, tais líderes optam pelo centralismo de poder, reavivando aspectos da ditadura em seus países. As ONGs, por sua vez, movimentos sociais institucionalizados, seriam um exemplo de como a consciência da igualdade tem trabalhado em prol do suprimento das necessidades básicas das comunidades á margem do crescimento financeiro e intelectual do sistema capitalista.

Para Perriére, governar “coisas” é utilizar leis como táticas por meio da sabedoria, diligência e paciência, estando a serviço dos governados e buscando a perfeição na intensificação dos processos que dirige. É justamente o que a Tribuna criticava, pois para o periódico a ditadura não trabalhava pelos cidadãos, daí a reivindicação de uma Assembléia Constituinte para que o povo escolhesse seu guia-chefe e participasse ativamente desta “ciência do Estado”, como afirma Foucault.

Ainda no século XXI, os resquícios do ideal Maquiavélico são identificados em políticas como a norte-americana. O Princípio diplomático do dólar como meio de interferência em territórios orientais e sul-americanos, por exemplo, tem se tornado fonte de conflitos. O caso recente da morte de um colombiano em território estrangeiro demonstra o quanto a territorialidade está enraizada nas condutas dos governantes pós-modernos. A interferência no Oriente é outro exemplo que revela o quanto ter o controle sobre terras-riquezas-mão-de-obra é típico do capitalismo em sua essência mercantilista de ser. A tecnologia assessora esse monitoramento, na política do Estado Vigiado contra o Terrorismo, a Violência Urbana, ou mesmo para realização de experiências científicas, visando o controle do comportamento e pensamento humanos, extensão do Nazismo de outrora.

Acúmulo na racionalização do poder... essa prática chega a ser repulsiva para autores como Foster, editor da Monthly Review. Em seu artigo Organizar a revolução ecológica, o autor cita a avaliação da Global Scenario Group a fim de examinar a transição para a sustentabilidade global. O último relatório emitido pelo grupo Great Transition apresenta três cenários: Mundos Convencionais, Barbárie e Grandes Transições, que vão desde a Força de Mercado e necessidade de Reforma Política, ao novo Paradigma da sustentabilidade e Ecocomunalismo.

Ecocomunalismo? Segundo Foster, este seria o estágio em que haveria uma transformação ecológica radical de encontro à hegemonia capitalista, começando pela mudança de valores e estilos de vida evoluindo para mudança substancial das estruturas sociais. O “estado estacionário” classificado por Stuart Mill seria o consumo do capital excedente em vez do investimento. Marx, por outro lado, escreveu “o novo sistema começa com o auto-governo das comunidades”.

No círculo vicioso do capitalismo, a sociedade burguesa apenas muda seus modos de produção e distribuição. A centralização da economia sistematizou o governo em sua soberania, disciplina e gestão, tendo compromisso com a população. Compromisso? Não é bem o substantivo que a maioria dos brasileiros acredita estar na prática das suas lideranças políticas. Segundo Foucault, ao longo do século XVIII o que se desenvolveu foi uma Governamentalidade do Estado contra a Estatização da Sociedade. Talvez se vivesse no século XXI, clamaria pelo equilíbrio entre as duas formas de Governo, no sentido social do primeiro e “comunalista” do segundo, em prol de uma sociedade mais igualitária e sustentável. Já dizia Epicuro: “quando medido pelo propósito natural da vida, a pobreza é grande riqueza, riqueza ilimitada é grande pobreza”.


Por Verusa Pinho de Sá.


REFERÊNCIAS


FOSTER, John Bellamy. Organizar a revolução ecologia, 2005. Disponível em http://www.monthlyreview.org/1005jbf.htm Acessado em 16/03/08.

Foucault, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979. p.277 a 293.

GOHN, Maria da Gloria. O Protagonismo da Sociedade Civil: Movimentos Sociais, ONGs e Redes Solidárias. 1a. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2005.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Texto 03: O panóptico ou A casa de inspeção – IN: SILVA, Tomaz Tadeu da (org). O Panóptico. Jeremy Bentham – Belo Horizonte: Autêntica, 2000, pag. 15- 26.

A partir da representação arquitetônica de uma casa de detenção (que poderia ser útil também a outras instituições, como hospitais, escolas e fábricas), o autor constrói uma metáfora de como é possível estabelecer controle e transformações sociais, políticas e econômicas numa dada sociedade.
Um novo sistema político se configurava na Europa do século XVIII. As formas de manutenção de controle social, antes compatíveis com o regime feudal característico da Idade Média, não obtinham a eficiência necessária na sociedade que se instaurava, já que atendiam a princípios políticos pautados no extremismo religioso e centralizador, não compatíveis com o novo período, denominado, antiteticamente ao anterior, de período das luzes.
No intuito de resolver os problemas de vigilância que se faziam presentes, Jeremy Bentham propõe o Panóptico, um edifício circular dividido em celas, pelas quais seria possível a entrada de luz e ar, que funcionaria justamente como um dispositivo tecnológico de poder. E de que forma se instituiria esse poder? Por meio de uma torre central, o vigilante poderia perceber a silhueta dos prisioneiros com o auxílio dos efeitos de luz, podendo assim, exercer o controle sobre eles. O segredo para a garantia de ordem, no entanto, se dá pela questão da visibilidade: apesar de poderem ver ‘onipresentemente’ toda a extensão da casa de detenção e em tempo integral, os vigilantes não podem ser vistos, facilitando, dessa maneira, o cumprimento de suas ações, ainda que estas não estivessem necessariamente em curso. O objetivo final de manutenção de controle feita pelo Panóptico, portanto, não se dá pela punição física, meio do qual se utilizavam os detentores de poder na Idade Média, mas sim por força psicológica, através da intimidação causada pela sensação constante de se estar sendo vigiado.
Atualmente, sobretudo com o desenvolvimento e proliferação de tecnologias que facilitam as relações de poder instituídas pelo Panóptico, tal princípio permanece em plena atividade, adaptado aos novos mecanismos sociais, mas exercendo o mesmo controle de quando proposto. As tecnologias tornaram-se mais práticas e eficientes, o que facilitou sua inserção em todos os espaços possíveis, desde ambientes públicos, como sistemas de vigilância por micro-câmeras, até mesmo no interior de seres humanos, como a introdução subcutânea de chips localizadores em prisioneiros considerados de alto risco.
Por Inês Guimarães





ANÁLISE DO TEXTO GOVERNAMENTALIDADE

Olá Pinzó. Não conseguí entrar no blog indicado. Estou enviando o texto pelo e-mail. Avaliei o texto do Facault, "governamentalidade".

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM MULTIMEIOS
DOCENTE – JOSEMAR MARTINS (PINZÓ)
DISCENTE – JOSÉ SEBASTIÃO MENEZES DA SILVA



ANÁLISE DO TEXTO GOVERNAMENTALIDADE


O presidente brasileiro Juscelino Kubistheck costumava dizer que "governar é construir pontes". Ele se referia a necessidade dos governantes não apenas edificar "obras de pedra e cal", mas exercitar o diálogo com os correligionários e opositores, articular entendimentos. A análise de Michel Focault sobre a governamentalidade, parte do texto "Microfísica do Poder", traz um relato vivo sobre a arte de gerir governos através dos tempos, fragmentos de experiências adquiridas em sociedades complexas, conservadoras e resistentes a idéia de democracia. Fucault lança luzes sobre as "idéias de vanguarda" da arte de governar , o embricamento de governo, povo, Deus, família, patrimônio e economia. O pensamento "kubithekiano" aparece na metade do Século XX, a partir de uma visão contemporânea, mas não menos influenciada por esse arcabouço difundido desde a idade antiga. Podemos a partir do pensamento de Focault questionar? Que impulsos forjaram s conceitos de governabilidade na história humana? Qual o impacto da mentalidade dos governos no desenvolvimento das sociedades?

Fucault denomina a governamentalidade de estado como um fenômeno fundamental na história do ocidente. Se a história é concebida hoje a partir de uma compreensão de processos, não é difícil deduzir que o poder sempre foi uma das principais forças motrizes a operar no mundo a partir do momento em que o homem resolveu se organizar em grupo. A sociedade tem íntima ligação com a lógica do poder. Poder aqui implica também governo. Governo se caracteriza com condução, modo de gerir gente, recursos, idéias e ideologias. Há um fator preponderante nessa relação que é o interesse. Para quem o governo está destinado? Como o governante lida com o poder constituído ou não? Qual o grau de consciência governamental de um líder?
Como a palavra já dá pistas "governar + mentalidade", ou a faculdade ou entendimento do que é governar. Talvez o documento mais conhecido da história sobre a arte de governar esteja em livros religioso, como a Bíblia e o Alcorão onde estão os decretos, instituídos por uma divindade ou orientados aos homens sobre comportamentos sociais ou de ordem religiosa. Mas é no livro de Nicolau Maquiavel que os governantes terão uma idéia mais direcionada exclusivamente sobre como lidar com o poder. A crítica que se faz ao "Príncipe" é que o livro não foi feito exatamente para governar, mas sobretudo para "manter o poder", seja lá em que circunstâncias. Fucault alerta que embora o Príncipe tenha sido abominado, chegou a ser reverenciado pelos contemporâneos e sucessores imediatos, sobretudo no Século XIX, quando desaparece quase toda a literatura sobre a arte de governar. Fucault avalia que "a literatura anti-Maquiavel não tem somente uma função negativa de censura, de barragem, de recusa do inaceitável: é um gênero positivo que tem objeto, conceitos e estratégia e é em sua subjetividade que gostaria de analisá-lo". A maioria dos livros críticos em relação a Maquiavel, são de origem católica. Um dos questionamentos do conteúdo diz respeito a questão das relações de força, considerado como princípio de inteligibilidae e de racionalização das relações internacionais. Segundo Fucaut o objetivo do exerc´cicio do poder será: manter, reforçar e proteger esse principado, entendido não como o conjunto constituído pelos súditos e território, o principado objetivo, mas como a relação do príncipe com o que ele possui, com o território que herdou ou adquiriu e com os súditos. Daí surge uma inquietação que vale a pena analisar. Há uma diferença abissal entre governar e conservar o poder. A grosso modo gerir os destinos de uma nação de maneira mais natural e tradicional significa atender as expectativas dos súditos, dos governados que esperam do poder o senso de justiça, o equilíbrio, o bom senso nas decisões de interesse coletivo, em ações de cunho democrático e plural. Em suma, o povo quer se sentir amparado nos bons e maus momentos. Não é por acaso que nos momentos de comoção social, em guerras nos quais um país tem participação, é clássica a cena do rei, rainha, príncipe, ou presidente, convocar a sociedade para anunciar uma decisão e intuir nas mentes e corações a subjetividade do amor e da preocupação coletiva. Foi assim com Napoleão, com Hitler, com De Gaulle e com Getúlio Vargas.

Mas é comum na história perceber a contradição do poder, vista sobre o ângulo da benevolência. A intencionalidade dos governantes nem sempre foi de interesse coletivo, mas para atender aos reclames de uma casta, da corte. Os exemplos de Stalin, dos cesares romanos, dos ditadores sul americanos dão uma idéia mais clara do pensamento "distorcido do que seria governar". A tese do "direito divino dos reis" é um exemplo claro da "da autoridade natural", defendida por remanescentes das famílias influentes da Europa. O rei Luiz XIV por exemplo dizia: "o estado é meu" ou então "o sol nasce e se põe em meus domínios". São escassos os exemplos na História sobre o fenômeno de um país sem governo. A idéia parece vazia, ou impossibilitada de ser concebida diante dessa característica tão comum na natureza humana que é o de aceitar uma liderança, mesmo que a "última palavra" seja de um grupo de escolhido numa multidão. Há de se ter um norte e essa direção precisa ser compreendida e apontada por alguém.

O texto trata da questão família e poder, governo e família, governo família e economia e como se dá esse embricamento. O autor chama a atenção para a seguinte pergunta: Como introduzir a economia – isto é, a maneira de gerir corretamente os indivíduos, os bens, as riquezas no interior da família – ao nível da gestão de um estado? A carta de La Mothe Lê Vayer para o Delfim dá uma idéia clara dos valores da época e de como um governante deveria agir na sociedade: estabeleceu um tratado de moral, em seguida um livro de economia e finalmente um tratado de política. Esse tripé seria essencial para um governante bem sucedido. "aquele que quer governa o estado, precisa primeiro saber se governar, sua família, seus bens e seu patrimônio. Apesar dessas reflexões ocorrerem entre os séculos XVI e XVIII, poderemos perceber que na antiguidade esses mesmos valores são cobrados do governante, mesmo que não sejam tão clarividentes. A história bíblica do Rei Davi por exemplo, mostra que os afazeres do governante, preocupados com as guerras e decisões administrativas causaram problemas sérios na família, como tentativa de assassinato de um dos filhos do rei contra o próprio pai, abuso sexual de um irmão contra a irmã e adultério. O desgaste do rei hebraico foi evidente porque ele não soube equilibrar os "palcos de sua existência", e pagou muito caro por isso.

Percebe-se que a idéia de governar é complexa bastando não apenas o talento administrativo em si, mas o governo está relacionado às instituições e ao coletivo. As atitudes e o comportamento do governante influenciam diretamente no conjunto da sociedade. A boa gestão do estado teria uma influência forte sobre o comportamento dos chefes de família que saberiam também como governar seus bens. Facault nos estimula a pensar sobre a era da governamentalização do estado e o fenômeno que o fez sobreviver. Sobre as táticas empregadas na condução dos governos que deixa de ser definido plo aspecto da terrritorialidade, mas pela massa da população, pela instrumentalização do saber econômico e pelos dispositivos de segurança. Tronou-se lugar comum a afirmação de que o estado ruiu como instituição, ofuscado pelas companhias transnacionais que agora estariam "dando as cartas". Não estaria a governamentalidade usando agora uma nova tática que é dá ao povo e a iniciativa privada uma falsa sensação de autonomia e poder para continuar sobrevivendo de forma sutil?
JOSÉ SEBASTIÃO MENEZES DA SILVA

quarta-feira, 19 de março de 2008

Biopoder, biopolítca e o tempo presente.

A partir de, basicamente, análises de obras do filosofo Michel Foucalt, é que o Doutor em Filosofia. Antônio Cavalcanti Maia aborda os conceitos e tecnologias envolvidas na polêmica do biopoder, biopolítica e sociedade.
A rápida expansão tecnológica atual leva-nos a pensar em questões como efeitos desta tecnologia na moral e leis da sociedade, nas mudanças trazidas por esta tecnologia, bem como nas novas técnicas de que se utiliza a tecnologia para inserir-se nas sociedades. As obras de Foucalt traçam um estudo da modernidade dos séculos XVIII e XIX com suas tecnologias disciplinarizantes e populacionais. A primeira, aplicada ao corpo individual, criando regras e normas de conduta que aumentassem a utilidade das pessoas no mundo da Revolução Industrial, e a segunda tecnologia, já levando em consideração o conjunto, as massas, buscando meios de estuda-las e domesticá-las. Em Microfísica do poder e em Vigiar e Punir encontra-se grande parte dos pensamentos do filósofo sobre as técnicas, o poder e a sociedade.
O biopoder seria o governo dos corpos, instituido mediante rituais de suplício, direção e obrigações realizado não mais pela figura do rei mas pela própria sociedade, pela Justiça e o Direito. Exercer este poder requer criação de técnicas disciplinarizadoras de regulamentação e fiscalização dos corpos além da aplicação de leis e normas de vivência. Haveria por um lado um corpo global com discursos comuns, e por outro lado, o corpo dócil. A sociedade poderia ser assim esquematizada:


DISCIPLINA/HOMEM

LEIS/POVO

BIOPODER

Tal como acontecia no Antigo Regime, quando as Corporações de Ofícios deviam tributos à nobreza e cada artesão obedecia jornadas exploratórias de trabalho, ou durante o Feudalismo com os tributos absurdos cobrados ao servo pelo seu senhor e pela Igreja, ambos ditando o modus vivendi.

No biopoder, importa que a massa não se reuna e nem gere ônus para o governo, sendo o máximo útil. Outras instituições sociais como escolas e delegacias, segundo Foucalt, agiriam de modo a vigiar e punir sem serem observados. Começa aí a sociedade BigBrother, abordada em 1984 por Orwell.

A técnica da disciplina tem como princípios básicos: distribuir espacialmente os individuos (por cor, crença e classe social), exercer seu controle não sobre o resultado da ação humana e sim sobre o desenvolvimento desta ação além de tecnicas de vigilância eternas e controle do tempo.

Entretanto, a partir do século XIX, os intelectuais e governantes começaram a se preocupar com o crescimento desordenado das cidades e com sua causa direta, o aumento demográfico. Este fator levou à uma adaptação no poder da época, que passou a atuar sob a população através de medidas eugenizantes, reguladoras da saúde, da moradia e da qualidade de vida. O povo passou a ser fonte de saber e surge assim a biopolítica da população, aliando a antiga disciplina à tecnologia capaz de estatizar o biológico. Nesta nova etapa do poder, a sociedade seria considerada população no sentido de vida e possibilidade de intervenções concentradas para o crescimento econômico ordenado. Vê-se que as denominações mudam mas o objetivo continua o mesmo: manter o povo e o corpo eficientes para a lógica de mercado.

As obras de Michel Foucalt serviram de fonte para trabalhos de demais filósofos contemporâneos tais como Habermas, a escola de Frankfurt e Sloterdijik que, inclusive, atualizaram o tema do biopoder e, a cada modo, defendem suas posições sobre o avanço das técnicas de controle da sociedade e sobre o exercício de poder atual.

Se antes o embate era buscar agir em prol da utilidade dos indivíduos, hoje, o grande debate concentra-se no poder e na ética para a vida, devido as descobertas da ciência no campo da clonagem, alimentos transgênicos e o uso de células-tronco. O biopoder é bioética , criação de vida e destaque para as subjetividades; a população agora passou de massa de manobra para individuos mais conscientes de sua importância para o funcionamento da sociedade capitalista. É portanto um alerta que Antônio Maia faz no fim do capítulo do texto- para que as tecnologias da informação, a informática, os avanços científicos e a moral sejam frequentemente questionados pela sociedade a fim de que se busquem novas armas para lidar com os problemas advindos das transformações tecnológicas em todos os setores da vida humana.

Escrito por Ayala Lopes em 19/03/2008.


segunda-feira, 17 de março de 2008

A GOVERNAMENTALIDADE

TEXTO 01: A GOVERNAMENTALIDADE – In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979, p. 277-293.

Ao desenvolver o conceito de governamentalidade, com o qual designa as práticas de governo ou da gestão governamental que "têm na população seu objeto, na economia seu saber mais importante e nos dispositivos de segurança seus mecanismos básicos", Foucault busca não apenas apontar a matriz da razão política moderna, mas também, de que maneira da pastoral cristã, característica da sociedade da lei - Estado de justiça, da Idade Média -, se tinha chegado à sociedade de regulamento e disciplina - Estado administrativo (nos séculos XV e XVI) - e, desta, à sociedade de polícia, controlada por dispositivos de segurança - Estado de governo. Em outras palavras, seu projeto era nos revelar como o Estado moderno se governamentalizou, como se produziu "este fenômeno fundamental na história do Ocidente: a governamentalização do Estado".
Nesse percurso, e analisando as dificuldades que se estabeleceram, ao longo do século XVII, pelo embate entre a soberania e a família, Foucault nos mostra que a arte de governar - esse conjunto de saberes que institui uma racionalidade própria ao Estado - só conseguiu se desbloquear quando se articulou o conceito moderno de população, bem como o conceito moderno de Economia. A partir daí, coloca-se uma nova questão política para a Modernidade: a relação entre a segurança, a população e o governo. A arte de governar passa então a uma ciência política, de um regime dominado pela estrutura de soberania para um regime dominado pelas técnicas de governo, o que ocorre no século XVIII em torno da população e, por conseguinte, em torno do nascimento da economia política.
A estatística, segundo Foucault, tornou-se, pois, nesse contexto, o principal fator técnico (tecnologia) desse desbloqueio da arte de governar, que para ele, está em conexão com a emergência do problema da população. Se a estatística tinha até então funcionado no interior do quadro administrativo da soberania, ela revelaria pouco a pouco que a população tinha uma regularidade própria, características próprias, sendo capaz de produzir efeitos econômicos específicos. Permitindo quantificar os fenômenos próprios à população, a estatística revela suas especificidades, irredutíveis ao quadro familiar. Aquilo que permite, então, à população desbloquear a arte de governar é o fato dela eliminar o modelo da família, outrora instituidor de um dado conceito de economia, sendo o uso da técnica de estatística imprescindível para tal.
A governamentalidade é, pois, uma instrumentação voltada para a gestão dos indivíduos. Contudo, as individualidades devem estar em referência à noção de população. Trata-se de salvar a população no sentido mundano do termo, assegurá-la contra os perigos internos e externos, ordená-la, garantir seu bem-estar e seu desempenho ótimo: fazer crescer e multiplicar as forças sociais. Foucault incita ao fato de que nossas sociedades acabaram por desenvolver uma estranha tecnologia do poder ao tratarem a imensa maioria dos homens como rebanho, com o pulso de um pastor.
Foucault irá chegar à conclusão de que o aspecto mais próprio do poder é a relação específica de governo. Trata-se de ações sobre as condutas, sobre as possibilidades de ação dos outros. É estruturar um eventual campo de ação possível de outros. A ação sobre outra ação adquire a dimensão de conduzir condutas: conduzir as crianças, os estudantes, os doentes, a família.
O aspecto mais importante da governamentalidade pode ser apontado como o fato de se dirigir a cidadãos livres. A concepção liberal do indivíduo será um dos pilares da política moderna. Os regimes democráticos liberais multiplicaram as instituições e as prescrições destinadas a tornar os cidadãos mais confiáveis, mais controláveis, mais previsíveis. Trata-se de uma batalha entre as singularidades que, na concepção liberal, seriam as idiossincrasias privadas - e a normalidade pública. Do ponto de vista do poder, deve-se desenvolver, uma maneira facilitadora, para que esses indivíduos livres realizem essa mudança em si mesmos.
Embora a relação de governo não seja propriamente guerreira, uma não exclui a outra: as lutas que Foucault faz corresponder ao seu pensamento serão, na verdade, em torno da governamentalização da vida. Esta arte de governar implica um saber, que não é meramente uma “prudência” ou uma “justiça”, mas sim, uma ciência de governo, um conhecimento sobre as forças do Estado, sua capacidade e os meios de desenvolvê-la.
A tecnologia que está em questão pode ser vista como os instrumentos, táticas e técnicas através dos quais o governo poderá alcançar seu objetivo final de “melhorar a sorte da população”. Campanhas, através das quais se age diretamente sobre a população, e técnicas que vão agir indiretamente sobre ela. A população aparece, portanto, mais como fim e instrumento do governo, como sujeito de necessidades, de aspirações, mas também como objeto nas mãos do governo; como consciente frente ao governo, daquilo que ela quer e inconsciente em relação aquilo que se quer que ela faça.
O interesse individual – como consciência de cada indivíduo constituinte da população – e o interesse geral – como interesse da população, quaisquer que sejam os interesses e as aspirações individuais daqueles que a compõem – constituem o alvo e o instrumento fundamental do governo da população. Nascem daí, táticas e técnicas absolutamente novas.
Por: Juliana Pires e Lidmillie de Castro

sexta-feira, 14 de março de 2008

ATIVIDADE PROGRAMADA

Em função de viagem para participar do VII Encontro do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos, em Salvador, nos dias 17 e 18, a atividade que aconteceria na aula sesta segunda-feira, dia 17/03, deverá ser realizada em forma de atividade programada, da seguinte forma:

1. Foram deixados cinco textos para que cada aluno/a REPRODUZA apenas um deles e o LEIA. Os textos são os seguintes:
· Governamentalidade – Michel Foucault (do livro “Microfísica do poder”)
· O panoptismo – Michel Foucault (do livro “Vigiar e punir”)
· O panóptico ou a casa de inspeção – Geremy Bentham (de “O panóptico”)
· Governamentalizar – Maria Isabel Edelweiss Bujes (livro “Infância e Maquinarias”)
· Biopoder, biopolítica e o tempo presente – Antonio Cavalcanti Maia (livro “O Homem-Máquina”).

2. Todos os alunos que reproduziram e leram o MESMO TEXTO devem aproveitar o tempo da aula, dia 17, para formarem um GRUPO e discutirem entre si o respectivo texto lido.

3. Este grupo deve PRODUZIR UM TEXTO, que leve em conta os seguintes aspectos:
· os tipos de TECNOLOGIA dos quais o texto fala;
· o modo como estas tecnologias incorporam a INFORMAÇÃO;
· relação entre tais TECNOLOGIAS, as INFORMAÇÕES que elas manejam e a SOCIEDADE;

4. Este texto do grupo deve ser ASSINADO por todos postado no Blog da disciplina (http://tic-e-soc.blogspot.com). Lembro que é preciso logar para poder postar)

5. Qualquer aluno/a, caso decida, pode fazer seu texto em separado. O que vai contar é o resultado final, a postagem, e a relação de quantas pessoas estarão registradas nessas postagens.

6. Além da presença pela aula deste dia, haverá atribuição de nota por este trabalho, e os resultados serão discutidos na aula do dia 24/03/2008.

Josemar da Silva Martins
Professor

terça-feira, 11 de março de 2008

TERCEIRA AULA


O eixo dessas primeiras aulas é a relação homem-máquina. E há, de fato, não apenas diversos modos de abordar essas relação, mas, principalmente, diversos vieses dessa relação. Semana passada, na segunda aula, o filme "A Máquina - o amor é o cobustível", de João Falcão, abriu a possibilidade de tomar não apenas o amor, mas o desejo, como motores maquínicos de nossa relação com o mundo...
///
Nesta aula, a terceira, anos apoiamos no texto "O homem-máquina hoje". de Sérgio Paulo Rouanet - Publicado em "O Homem-Máquina: a ciência manipula o corpo", organizado por Adauto Novaes (São Paulo: Companhia das Letras, 2003). Neste texto Rouanet recupera a expressão "homem-máquina" do título de uma obra do médico Julien Offray de La Mettrie, que viveu e perambulou pela Europa durante a primeira metade do século XVIII.
///
La Mettrie, achava que a única finalidade do homem é a busca pela felicidade e que, sendo assim, não lhe servem a moral ou a regras externas, já que é seu organismo e suas vontades autônomas que devem decidir o que é certo ou errado, o que pode ou o que não pode... Embora Rouanet não faça essa vinvulação, a perspectiva de La Mettire, propõe uma desprogramação do indivíduo em relação às regras sociais, e sua feição hedonista se aproxima daquilo que foi proposto por Gilles Deleuze e Féliz Guattari em "O Anti-Étipo". Como diz Jair Ferreira dos Santos, em "O que é pós-moderno?" (São Paulo: Brasiliense, 2005)...
///
O livro metia a noção marxista de produção nos porões do inconsciente freudiano. Este deixava de ser o cenário das imagens e emoções recalcadas para virar máquina desejante, energia produtora de desejos. A idéia de máquina desejante era filha do cruzamento da sociedade capitalista (Marx/máquina) com o inconsciente individual (Freud/desejo). Sociedade e indivíduo eram uma coisa só: máquinas desejantes" (SANTOS, 2005, p. 81).
///
Mas o mais importante, que aproxima DELEUZE & GUATTARI da perspectiva de La Mettrie é, conforme SANTOS, o seguinte: a promoção do esquizonfrênico (ou o Corpo Sem Órgão) permite que... "Desprogramado, o esquizofrênico usa suas energias como lhe dá na telha.Não come, ou como quando quer, não caga, ou caga onde está, não respeita horários nem patrões, goza com todas as saliências e buracos”
(SANTOS, 2005, p. 82). Significa produzir uma intensidade = 0, em relação ás forças de domesticação externas, portanto, as regras sociais, morais, etc. Esta é, nos parece, uma imagem muito próxima da de La Mettrie e do seu "homem-máquina".

///
Claro que o livro de Deleuze & Guattari nos leva a especular sobre processos de "regulamentação" que produziram a civilização, segundo Freud (contra quem escreve a dupla), pelo menos no seu livro "O Mal-Estar na Civilização" (Rio de Janeiro: Imago Ed., 1997). E tudo indica que nosso atual estado maquínico quer se livrar de todo tipo de "mal-estar", como se isto fosse possível. Este reencontro com La Mettrie (depois de uma longa vitória de Descartes), cuja perspectiva nos parece recapitulada por Deleuze e Guattari, nos revela nosso atual "estado-de-máquina".
///
OBS: Há um texto de Sérgio Paulo Rouanet, "Do Homem-Máquina ao Homem-Genoma", que pode ser acessado no endereço http://eumatil.vilabol.uol.com.br/homemmaquina.htm.
///
Josemar Martins (Pinzoh)
Professor

AINDA SOBRE A PRIMEIRA AULA

Eu havia me esquecido que, na primeira aula, além de termos feito o que já relatamos, também apresentei dois textos: um é o "Prólogo: uma emergência inexorável", do livro "A Era das Máquinas Espirituais" de Ray Kurzweil. O outro é um texto entitulado "COMO SERÁ A VIDA DAQUI A MIL ANOS", que pode ser acessado na internet no endereço: http://almanaque.folha.uol.com.br/ciencia_07jan1925.htm. Apresentamos aqui apenas um fragmento...

COMO SERÁ A VIDA DAQUI A MIL ANOS?

Dentro de mil annos - Diz um novo Julio Verne - Homens e mulheres serão calvos, os alimentos syntheticos, não haverá diarios desapparecerão os feios, o frio e o calor e ninguem terá necessidade de dormir - É lastimavel que não possamos alcançar essa maravilhosa época.
===========================================
Publicado na Folha da Manhã, quarta-feira, 7 de janeiro de 1925.
Neste texto foi mantida a grafia original

===========================================
Dentro de mil annos todos os habitantes da terra, homens e mulheres, serão absolutamente calvos. A differença entre o vestir do homem e da mulher será insignificante, vestindo ambos quasi pela mesma forma: uma especie de malha, feita de materiais syntheticos, acobertada por um metal ductil e flexivel, que servirá de antena receptora de mensagens radiotelephonicas e outros usos scientificos da época. O homem não mais perderá um terço da sua existencia dormindo, como actualmente, facto aliás incommodo para os homens de negocios e, especialmente, para os moços. Ao simples contacto de um botão electrico, a raça humana se alimentará por um tubo conductor de alimentos syntheticos. Esta especie de alimentos artificiaes terá a vantagem de ser adquirida com abundancia, a preços baixos. Não se terá, tambem, necessidade de pensar no inverno, nem nas altas contas de consumo do carvão, porque a esse tempo o calor atmospherico será produzido artificialmente e enviado em derredor do planeta por meio de estações geratrizes, eliminando, entre outras molestias, os catarros e pneumonias, posto que, de primeiro de Janeiro a 31 de Dezembro, a temperatura seja a mesma - 70 gráos Fharenheit. Um sabio professor inglez, o sr. A. M. Low, referindo-se a estes phenomenos no seu recente e interessante livro "Futuro", afirma: - "estas previsões não constituem sonho, pois que se baseam na "curva civilizadora", que demonstra graphicamente a impressionante velocidade com que caminha a sciencia hodierna.
==========================================

segunda-feira, 10 de março de 2008

SEGUNDA AULA

A MÁQUINA - O AMOR É O COMBUSTÍVEL



Na segunda aula de "Tecnologia da Comunicação, Informação e Sociedade", exibimos o filme a "A Máquina - o amor é o combustível", de João Falcão.
Aqui tentamos lider com uma possível humanização da máquina e da tecnologia, vinculando-a, não apenas ao amor, mas ao desejo: à produção do desejo, muias vezes de forma até vampirizada pelo fascínio do mundo e das suas "modernidades". Tal aspecto, verificado na personagem Karina, talvez esteja relacionado não apenas às "maquinas desejantes", de Deleuze e Guattari - que incluiria os "modos capitalísticos" de produção do desejo (vampirização do desejo) - mas também poderia estar relacionado àquilo que Milton Santos chamou de verticalidades, de forças contrífugas, características das relações mediadas pela técnica e pelo seu fascínio.
A expansão exponencial das tecnologias também deve um pouco a variados tipos de alucinação, da mesma forma que deve aos sonhos humanos, áquilo que Morin chamou de ectoplasmas de humanidade em forma de amor romanceado, que o cinema americano foi primoroso em difundir no mundo inteiro (aliás, o filme "cita" Hollywood em diversas passagens). Há aí um núcleo bastante diferente de necessidades e de agenciamentos que são de um outro tipo de "produtividade".

Dê aqui o seu palpite sobre esta aula.

Josemar Martins (Pinzoh)

PRIMEIRA AULA

Na primeira aula da disciplina "Tecnologia da Comunicação, Informação e Sociedade", além de discutir aspectos do programa da disciplina, foi feito um levantamento das expectativas e uma mapeamento das "imagens" que cada um tem em relação à disciplina. Você pode comentar esta aula, aqui. Fique á vontade!

Josemar Martins (Pinzoh)
Professor

SOBRE OS DESENHOS ABAIXO

ATENÇÃO!
No primeiro dia de aula da disciplina "Tecnologia da Informação, Comunicação e Sociedade" propus aos alunos que tentassem um desenho que fosse coerente com a "imagem" que faziam da disciplina e dos seus temas. Depois que cada um fez o seu desenho, pedi que mostrassem e o explicassem à turma. Também pedi que apresentassem suas expectativas em relação à disciplina.
Os desenhos serão utilizados noutras ocasiões, no entanto, eles foram todos postados aqui (LOGO ABAIXO), e cada um/a deve procurar o seu respectivo desenho e agregar a ele, em forma de comentário, a sua explicação para o mesmo, conforme foi apresentado em sala.

Aguardo o comparecimento de todos/as.
Josemar Martins (Pinzoh)
Professor