Por Elka Macedo
Ossos, cartilagem, derme, epiderme, mente, coração: peças de uma engrenagem capaz de transformar ambientes, realidades e mundos, cujo funcionamento só é possível com o auxilio de um combustível. Para quem adota o principio transcendental: a alma, para os que buscam a valorização do corpo pelo corpo: o prazer.
Deparamos-nos, então, com um dilema que há séculos divide opiniões. Seria o homem dono de si e, portanto cabe a ele buscar a felicidade através dos prazeres da carne? Ou o homem é regido por um ser superior e porquanto deve alimentar o espírito?
Esta discursão é bastante atual, na medida em que expressa as disparidades de uma época em que a igreja ainda tem uma forte influencia na sociedade, e em que o prazer e a satisfação pessoal são metas de uma grande parcela da população que quer se sentir incluída em determinados segmentos ou grupos sociais.
Vivemos numa época onde a aparência é supervalorizada e os ideais de beleza movimentam o capital e fazem a roda do mercado girar. Com isso, o nosso organismo não é mais regido por suas vontades naturais, mas por necessidades criadas por uma industrial cultural que tem como foco vender acima de qualquer principio moral ou ético.
E ao se debruçar sobre este discurso nos deparamos com perguntas que volta e meia nos fazem refletir; Somos livres no século XXI? Será que já conseguimos definir o que é liberdade? O conceito de liberdade é universal ou é pessoal? Qual a liberdade que queremos?
Alguns podem dizer que liberdade é poder ir e vir sem precisar dar satisfação a ninguém, outros podem achar que é o direito de expressar os seus anseios, e os mais otimistas devem afirmar que a liberdade está no exercício dos direitos humanos. Ora, mas será liberdade o “poder” seguir modelos?
