quinta-feira, 7 de maio de 2009

A máquina da Máquina(ou As Cinzas das Horas, umas falas de Bandeira)*

O que estará na parte invisível do filme “A máquina”, do diretor João Falcão? Que máquina tem esta Máquina, em que o amor é o combustível?

No filme, “ambientado” numa cidade pernambucana chamada Nordestina que, segundo o mapa do final da película, estar situada ali perto de Afrânio, aparece uma representação meio cênica teatral, como se os atores estivessem em um palco, ao invés de estúdios ou externas reais, comuns no cinema, um jovem casal faz do tempo uma fuga de suas vidas. Ela, atormentada com a pequenês de Nordestina, espera chegar o dia da maioridade para tentar chegar ao mundo que lhe chega pela televisão e, mais que isso, fazer parte dessa encenação global, ser do mundo ideal, onírico, mágico do audiovisual. Ele, espera o dia de fazer parte, de papel passado e tudo, com firma reconhecida, lavrado em cartório, rezado por padre, do mundo de Carine. Antônio viaja no tempo... Por várias a personagem passa em frente ao um relógio pendurado em sua oficina, indo e vindo em frente às cinzas das horas -pra lembrar um pouco do eterno Bandeira.

Mas, que será esse tal de tempo, afinal? Que máquina é essa que faz as gentes – olha o Manuel de novo – guardar, projetar, levar para brincar nos dias mais azuis do céu da gente, o desejo ou a esperança de um dia ser tudo o que quis ser e, infelizmente, ter – tocados pelas mãos do consumismo. Entre o mundo e eu, prefiro o mundo, disse o poeta. Depois das máquinas, ando mais de mão dadas com aquela que diz: cada vez mais deserto, e assim mais povoado. Mas, voltemos ao tempo, que bicho de sete cabeças e anos será este que nos faz cantar: se você vier pro Kidé e vier comigo... ou: se avexe não, amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada. Ah, o amanhã...

O tempo, cá pra nós, nada mais é do que uma tentativa de quantificar a vida, de organizar as transfigurações que compõem a vida. Daqui a noves meses nasce. Será menino ou menina? Será um guri que passa cinco anos chorando? Será uma mocinha fugitiva da coisa mais espontânea da vida tempo: amor, o combustível do tempo? Maturana afirma, amor é tão natural quanto estar vivo, é um tropeção que preenche o coração pela vida temo afora e adentro, sobretudo.
Tentar fugir do tempo, em busca de outro tempo, é tentar pular o muro das vivências mais fundas e cotidianas, é se anular pelo que não é ainda, mesmo sendo.

Mas, depois de João, Bandeira, Kidé, tempo, máquina, fica a dúvida, que é o preço da pureza, como diria um cabeludo as antigas. Qual o tempo da máquina?

*Por João Paulo Marques – aluno do 8º período de jornalismo do DCH III Uneb.

Um comentário:

Jaquelyne Costa disse...

Amor é tropeção
é espinho no coração
é saber deixar o outro lhe amar
é um monte de borboleta no estômago
é uma sensação de voar
mesmo com os pés no chão

Amor é tanta coisa, João...
Tanta coisa tanta...

Um abraço, colega!