segunda-feira, 25 de maio de 2009

Não sois máquina! Homens é que sois!

Por Alaíde Régia, Carilene Xisto, Fernanda Mendes e Giórgia Kelsen

A definição para o termo “Homem-máquina” envolve uma série deelementos. São conjecturas e afirmações que revelam a proximidade oudistinção entre máquina e homem. De acordo com o médico e filósofofrancês La Mettrie, inicialmente o homem mantém uma proximidade com amáquina porque ambos são desprovidos de alma.O que é preciso ressaltar, no entanto, é que quando há essa definiçãoé porque La Mattrie já tem um critério prévio para estabelecer o queseja Homem, além de todo um contexto que o permite acreditar em certasdefinições e não em outras. O fato de ser médico e de estar cercadopor um clima que favorecia a efervescência de pensamentos que iam deencontro com a sociedade da sua época, contribuía para outracompreensão acerca do homem que, por sua vez refutava a concepçãovigente, uma vez que La Mattrie acreditava numa felicidade a partir da libertação do homem com relação ao poder divino e dos poderes oriundos da organização social da época.

Uma máquina necessita de algo que a impulsione, que a faça funcionar. E se considerarmos que numa perspectiva determinista a estrutura orgânica do homem é bastante valorizada, o que deve impulsionar o funcionamento desta máquina humana é a realização das suas vontades, o
seu bem-estar, sem existir fatores que a reprimam. Assim, é a busca pela realização, pelo prazer que vai mover o funcionamento humano. A partir daí a crítica sobre a estrutura social começa a ser mais enfática, pois, para La Mettrie esta estrutura passa a atrapalhar a felicidade do homem quando interrompe a realização completa de suas vontades, impedindo, portanto, o bom funcionamento da máquina-homem.

As reflexões sobre homem, máquina, estrutura social e até mesmo sobre poder, contribuem para a discussão hodierna sobre os agentes maquínicos, ou seja, aqueles dispositivos que agem sobre nós sem que percebamos. São agentes que nos faz recalcar os nossos desejos, que limita nossas ações, e nos submete a certos ditames.
Diante dos pensamentos de La Mattrie, o que mais nos provocou, é essa busca constante pelo prazer - impulsionada somente pelas vontades carnais – única forma de atingir o objetivo do homem: a felicidade. Para o médico francês, podemos nos libertar do poder social e divino, nos conscientizando principalmente, da inexistência da alma e espírito para que possamos alcançar nosso objetivo maior, a felicidade. E sentimentos? Será que somos desprovidos do sentimento de culpa, remorso, arrependimento, tristeza e tantos outros? Seria bom se pudéssemos realizar todos os desejos momentâneos do corpo em função de satisfazer nosso prazer, sem que antes ou depois não precisássemos julgar e refletir sobre nossas ações, porque em algum instante o que é prazeroso para nós pode não ser para o outro. Não importa o que causamos ao outro em prol da nossa felicidade?

A partir todos esses questionamentos, preferimos seguir e pensar como o cineasta inglês Charles Chaplin: “Não sois máquina! Homens é que sois!”

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