quinta-feira, 16 de julho de 2009

Comunicação Alternativa

Juciana Cavalcante

Criada sob o conceito de ser uma diferença, a comunicação alternativa surge como uma nova maneira de fazer comunicação. A boa intenção não demorou muito para sofrer duras críticas pelo produto a que se propôs: tecer a crítica sobre a maneira que se fazia comunicação. Atenho-me aos veículos alternativos de comunicação, seu surgimento baseado e motivado por uma maneira ou mais simples, ou mais acessível de se transmitir uma notícia, dando ainda voz às massas.
A ideia original é boa, mas a realidade fora do papel cumpre algo quase que totalmente diferente ao que se imaginava. A comunicação alternativa como espaço para o exercício da crítica da mídia não só o fez como assumiu caráter comercial, o que na teoria deveria ser ela isenta. Rádios e TVs comunitárias, alternativas parecem correr ao longos das “pautas”, para não dizer dias, atrás da mola propulsora de sustentação, a chamada publicidade.
Temas que envolvam Educomunicação, educação associada diretamente à comunicação; a comunicação e desenvolvimento que ela pode propiciar a sociedade local, uma maneira de digitalização dos meios, e ainda políticas públicas para comunicação são discutidos em muitas academias. O problema é quando essa discussão versa apenas um lado, e a crítica pela crítica não nos leva a lugar algum. Mais do que buscar soluções é necessário e imprescindível a realização de ações que visem de fato à realização em prática das discussões sobre tais temas.
O espaço de discussões sobre a crítica da comunicação alternativa e o seu inverso, ainda podem propiciar o surgimento de novas teorias e quem sabe uma nova forma de se fazer comunicação, regida por novos parâmetros que a cada dia pautam de forma diferente os veículos de comunicação.
Quando se ouve falar em modernização das redações, técnicas de jornalismo, enxugamento das redações, onde ainda se concentram os formados na área que embora contrariando muitos, não é uma arte e sim um a ciência, esse é um dos momentos mais específicos para se avaliar os resultados que já temos com a chamada comunicação alternativa.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A robótica mais perto do que acreditávamos

Por Quercia Oliveira

Ler matérias e artigos sobre a robótica e a era pós-humana nos deixa, muitas vezes, com a equivocada impressão de que estas transformações acontecem distantes de nossos cotidianos.

Hoje, contudo, enquanto fazia uma ronda entre sites institucionais, me deparei com a surpreendente notícia de que uma equipe unebiana trouxe para o Brasil o troféu de terceiro lugar na mais importante competição de robôs inteligentes do mundo, a RoboCup.

Sincera e honestamente falando, eu não sabia da existência, nem da importância, de tal competição e, muito menos, que desenvolvíamos na nossa universidade estudos, de excelência, diga-se de passagem, nesta área.

Fica, contudo, meus cumprimentos à equipe “Bahia Robotics Team” e a indicação para leitura da
matéria completa na página da UNEB.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

(In)Formação polida

Por Silvana Costa

O fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista não é condição peremptória para a liberdade de expressão, como defendem os que são favoráveis à decisão do Supremo Tribunal Federal. A liberdade de expressão não está comprometida pelo diploma. Aos que usam do conclamado alvedrio para afirmar que diploma de jornalismo é desnecessário, faço minhas as palavras do jornalista Muniz Sodré, “não tem formação específica para compreender a complexidade teórica do que é hoje informação/comunicação”.

O diploma, ou canudo, como alguns preferem chamar ironicamente, e outros por redução, não é sinônimo de ética, caráter ou preparo. Comparo o jornalismo à pedagogia. Qual o papel de cada um? Quais funções estão cumprindo? Qual a situação das escolas atualmente? E digo atualmente referindo-me há algumas décadas. Como se sente o professor diante de uma instituição falida com alunos que nada querem aprender ou se satisfazem com aquilo que lhes é oferecido? Será que qualquer um pode ir para uma sala de aula? Qualquer um por vocação ou dom de ensinar tem esse preparo? Por que a educação é tão secundária nos governos? Por que o jornalismo foi o alvo? Será mesmo uma luta para que todos possam se expressar livremente? Será mesmo a inconstitucionalidade? Será que é inconstitucional?

A decisão do STF partiu de uma ação protocolada pelo Ministério Público Federal e o Sindicato das Empresas de Rádio de Televisão do Estado de São Paulo. Será que a natureza da pugna esclarece quais interesses estão em jogo? Por que a grande mídia silenciou o caso ou manifestou apenas os que são contra o diploma obrigatório?

Interesses em jogo ou jogo de interesses

A não obrigatoriedade do diploma servirá para apadrinhamentos políticos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social do jornalismo. Equivocado os argumentos da chamada Suprema Corte. Tanto que, de acordo com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, o STF pode rever a decisão da não obrigatoriedade do diploma para prática jornalística através de uma ação embasada em novos fundamentos ou por embargo de declaração. “No caso, o embargo de declaração estaria relacionado aos pontos omissos, porque não foi observado que os colaboradores já têm espaço previsto para a manifestação de pensamento. Ao analisar esse ponto omisso, o resultado do julgamento poderia ter sido outro”, disse o presidente nacional da OAB.

Tecnologia, comunicação...

Como se não bastasse a decisão do STF, a própria imprensa está se encarregando de acabar consigo mesma. Os critérios de noticiabilidade se confundem com sensacionalismo, espetacularização dos acontecimentos e faturamento que possam trazer a determinados setores da mídia. As novas tecnologias de informação e comunicação, principalmente a internet, incitaram ainda mais o deadline (data limite do fechamento de uma edição) no jornalismo. A televisão, o impresso e o rádio passaram a analisar e investigar menos os acontecimentos. A captação da realidade com maior aprofundamento e a narrativa diversificada estão comprometidas no jornalismo diário devido à concorrência, falta de tempo e espaço nas publicações/veiculações e indolência dos jornalistas.

Segundo Traquina, as notícias não podem ser vistas simplesmente como algo que surge de forma espontânea dos acontecimentos do mundo real, mas na incidência de acontecimentos e textos. Opta-se por um jornalismo repetitivo e enfadonho, uma corrida desenfreada pelo furo jornalístico, pelos níveis de audiência ou de vendas de exemplares e uma cobrança e pressa que o ser humano não dá conta.

Avançam para produções e investimentos em tecnologia cada vez maiores, com as mais diversas intenções, desde a busca da imortalidade através das máquinas, até a criação da inteligência artificial na área da robótica. Chegou-se ao ponto da criação de Evas Byte, um misto de entertainer/apresentadora/”jornalista”, uma mera executora de tarefas incapaz de questiona-las. A “forminha” é o protótipo almejado por aqueles que fazem jogo de interesses quando seus interesses estão em jogo.

...E informação.

A "Revolução Verde", que está ocorrendo no Irã devido à mobilização das bases de Mir-Hossein Mousavi contra o resultado da eleição – fraudulenta, segundo eles – que deu a vitória a Mahmoud Ahmadinejad, utilizou as mídias digitais para articulação do movimento e disseminação de informações. Primeiro, os manifestantes enviaram informações e mensagens por telefone. O regime iraquiano cogitou a possibilidade de bloqueio dos aparelhos. Outra alternativa foram os sites tradicionais de redes sociais – YouTube, Facebook, Flickr e Twitter –, amplamente utilizados e mantidos em uma lógica de bloqueio-desbloqueio, hackers iranianos versus autoridades. A internet noticiou o Irã para o mundo.

Em terras brasileiras, o blog da Petrobras, intitulado Fatos e Dados, foi criado em junho deste ano, com o objetivo de “apresentar fatos e dados recentes da Companhia e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”. O blog tem em média seis mil acessos diários. A Companhia constatou que o meio mais eficaz para atrair visitantes são os links nos sites de busca.

De acordo com o jornalista Luis Nassif com a “nova modalidade”, “os jornais terão que reaprender a fazer jornalismo, sob pena de terem suas matérias permanentemente questionadas por um circuito cada vez mais amplo de blogs e sites”.

Casos como esses demonstram que a informação não possui limites na Internet, consequentemente (re)afirmam o poder dessa mídia. O pensador francês Pierre Lévy vê a internet como um espaço de pensamento e comunicação em que não existe censura. “Quem participa do movimento cibercultura vive num universo cada vez mais democrático. Os que não participam estão obviamente excluídos. Isso é muito inquietante”.

Ética, retidão, caráter... E atuação.

Freire afirma que a educação é “uma forma de intervenção no mundo. Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/o aprendidos implica tanto esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento”.

A universidade é um espaço para troca de conhecimento acadêmico e informal. Diploma não é apenas o canudo. Este é ícone e não índice, de acordo com as definições semióticas de Peirce. Devemos lutar pela qualificação, não só dos cursos de jornalismo, mas da educação em todas as instâncias e da ética no exercício de qualquer que seja a profissão, de jornalistas a cozinheiros.

Há muita coisa que precisamos repensar no jornalismo. A qualidade do curso é uma delas. Por que os Excelentíssimos Ministros não fazem uso das competências que lhes são cabíveis para contribuir com a melhoria da educação brasileira? Ou a solução é acabar com o ensino? Afinal, seria mais fácil, menos dispendioso e mais interessante aos doutores da lei...

O problema não é o diploma de jornalismo, é a educação. O problema não é a liberdade de expressão, é o amor próprio, o corporativismo e o empresariado.

Decisão e (in)decisões...

Ouvi e li diversos artigos e comentários sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Professores, estudantes, sindicalistas, jornalistas, enfim, as mais diversas opiniões. Percebi – relacionado aos sentidos mesmo, porque para mim, jornalismo é enxergar, apalpar, compreender, provar e sentir – que muitos estudantes e profissionais da área não amam o jornalismo ou talvez o tenham feito porque não deram certo em outras áreas; outros tantos foram preconceituosos diante da comparação dos jornalistas com cozinheiros, feita pelo Ministro Gilmar Mendes e ainda há pessoas totalmente apáticas e desinformadas a respeito da ciência jornalística.

Aconselharam-me a fazer outro vestibular ou abandonar o curso, porque estava muito preocupada com a decisão do STF. Eu não faço jornalismo por causa de um diploma nem por falta de opção. Eu escolhi o jornalismo não como ofício, mas como uma forma de viver. Independente da decisão de um ministro (ou de oito...) isso não muda minha vontade. Aliás, só faz crescer o que motivou a minha escolha pelo jornalismo, utópica talvez: mudar o mundo - dignidade, justiça, ética, oportunidade e educação fazem parte das minhas ambições jornalísticas e pessoais. Ninguém que não esteja disposto a viver para o jornalismo (e não do jornalismo!) deve persistir numa profissão tão encantadora e incompreendida.

Novas mídias e a comunicação alternativa

Por Cecílio Bastos


Quando se fala do caráter estratégico da produção simbólica para o poder, compartilho do entendimento de Jean-Paul Sartre (1994), no qual diz que a mídia desempenha os papéis de "servidores da hegemonia e guardiães da tradição". A comunicação jamais esteve tão fortemente entranhada na batalha das ideias pela direção moral, cultural e política da sociedade. Ocupa posição relevante no âmbito das relações sociais, visto que fixa os contornos ideológicos da ordem hegemônica, elevando o mercado à instância máxima de representação de interesses.

Tudo à volta se recompõe e se desloca incessantemente. Predominam os mantras da velocidade, da inovação e da mercantilização, cada vez mais ajustados à urgência por vantagens e dividendos competitivos. A multiplicação de produtos e serviços multimídias, disponibilizados por tecnologias de última geração, põe-se a serviço de lógicas corporativas que convertem variedades em grandes quantidades lucrativas. Daí a importância de pressões sociais sistemáticas em favor de políticas públicas que protejam e promovam o interesse coletivo contra ambições monopólicas privadas.

Gramsci (1999) realça o valor em recusarmos proposições ocasionais e desarticuladoras, que querem nos incluir em "multiplicidades de homens-massa", tentando afastar os "homens-coletivos" da consciência fundamental contra o conformismo, a apatia e a alienação. As indicações do filósofo marxista italiano tornam-se especialmente úteis em um momento histórico no qual tramas sinuosas se desenrolam à sombra de telas, monitores, celulares e redes digitais, influindo cada vez mais na formação das mentalidades. O pensamento crítico e dialético impõe-se como elemento-chave para afugentar o culto celebratório do novo e o alvoroço por abundâncias mercadológicas, bem como para qualificar intervenções autenticamente transformadoras da cena pública.

Dentro do estado das novas configurações midiáticas, apesar das aparências espetacularizadas, seduções consumistas e feitiçarias tecnológicas, é preciso reconhecer as iniciativas que tentam reforçar a variedade informativa e cultural. Significa trazer à luz experiências que se oponham aos crivos e controles da mídia, introduzindo projetos criativos capazes de descentralizar, progressivamente, os processos comunicacionais e contribuir para o alargamento das margens de diversidade e crítica da mídia.


Referências:

GRAMCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Vol. 1. Carlos Nelson Coutinho (Org. e Trad.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999, p. 94-95.

SARTRE, Jean Paul. Em defesa dos intelectuais. São Paulo: Ática, 1994, p. 23.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Essa é uma das poucas disciplinas em que temos uma certa liberdade para produzir. Por isso, me senti a vontade para fazer o texto abaixo, conforme havia sugerido Pinzoh como atividade da aula do dia 18. Contudo, segui um caminho próprio, passeando por algumas temáticas que achei pertinentes. Para completar, postei um texto que escrevi semana passada, esse tem caráter mais informal.
Aos/as leitores/as mais apressad@s, desculpmem-me se me excedi na escrita.


Por que uma comunicação alternativa?

Por Érica Daiane

Muitos teóricos e ativistas da luta pela Democratização da Comunicação aportam-se à necessidade de se pensar um outro modelo de Comunicação para o Brasil. Tal necessidade parte da discordância com o modelo vigente, devido aos moldes pouco democráticos que norteiam o fazer comunicativo, tanto no âmbito dos meios de comunicação quanto nas estruturas públicas como um todo.

A comunicação interpessoal configura-se como elemento imprescindível nos ambientes sociais. Na sociedade contemporânea, a comunicação de massa, a comunicação popular ou comunitária é, juntamente com a educação, a responsável pela formação política, social e cultural de toda a população. Para Guareshi (2004), os meios de comunicação são indispensáveis na criação, transmissão, mudança, legitimação e reprodução das culturas. Já Soares (2003) fala da inter-relação entre os dois campos, comunicação e educação, resultando em um novo campo teórico-prático de intervenção social, a educomunicação, colocada pelo autor como “caminho para a cidadania”.

Neste início de século verifica-se o crescimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s), que tem sido apontadas como importante instrumentos de mediação e construção do conhecimento, bem como de democratização da comunicação e da informação.

No entanto, é preciso ainda aprofundar a discussão quanto ao uso adequado dessas ferramentas, sobretudo no âmbito da educação formal que pouco tem aproveitado as possibilidades oferecidas por tais inovações. É comum, por exemplo, ter nas escolas aparelhos eletrônicos, como televisores, aparelho de DVD, computadores sendo inutilizados. Outro fator preocupante é a perspectiva de inclusão digital que é trabalhada (quando é) nos espaços de educação formal. Na maior parte das experiências, tal perspectiva equivoca-se devido a não abordagem do viés educomunicativo dessas novas tecnologias. Na lógica da democratização da comunicação, a inclusão só acontece a partir da tomada de consciência dos sujeitos envolvidos no processo quanto à utilização da comunicação (neste caso, especificamente de seus meios) como estratégia de organização e desenvolvimento social.

Nesta perspectiva, as experiências de comunicação e educação que se dão nos espaços informais se processam justamente a partir desta tomada de consciência quanto ao poder destas áreas no processo de transformação social. Se no contexto das duas áreas, há uma relação entre a teoria e a prática, se há uma intervenção social e uma reflexão sobre esta prática, pode-se apontar a existências de experiências educomunicativas.

A escola tradicional tem se distanciado do cumprimento de seu papel enquanto propulsora de uma educação libertadora, que, conforme definia Paulo Freire, está ancorada na relação dialógica entre educador/a e educando que, juntos, irão construir o conhecimento. A comunicação também não tem exercido a função social que lhe é atribuída, desconsiderando a própria condição de direito humano.

É com base nessa constatação que passa a existir a contraposição dos modelos de se comunicar e educar. É isso que justifica, por exemplo, a existência de uma comunicação hegemônica e uma comunicação alternativa. De modo geral, a contra-hegemonia surge dos movimentos sociais que, preocupados com uma emancipação popular necessária à mudança da sociedade, passam a propor formas de sensibilização. Tal sensibilização se faz necessária porque parte-se da idéia de que o modelo dominante aliena os indivíduos, na perspectiva de garantir a aceitação do que lhes é imposto.

Os meios de comunicação, teoricamente, divulgadores da informação de qualidade, isenta e preocupada com o bem estar social, na prática, não cumprem por completo esta função. Dessa insatisfação com a mídia “oficial” surge a mídia “alternativa”. De acordo com os estudos de Lorenzon (2009, p. 20), o termo mídia alternativa, inicialmente, aparece “associado à radiodifusão comunitária, como opção aos processos hegemônicos de comunicação, e possui, portanto, relação com a democracia”. Contudo, a chamada mídia alternativa compreende uma gama de possibilidades de se fazer comunicação, cujo foco principal é a garantia dos processos comunicativos horizontalizados, nos quais a população possa ser tanto receptora quanto produtora/emissora de informação. Nesse modelo proposto deve haver, de fato, a valorização da diversidade sócio-cultural e dos princípios democráticos que devem estar expressos nas formas de construção coletiva.

Esse conjunto de ações, executadas nos moldes da comunicação hegemônica ou no modelo alternativo proposto, só é possível porque pessoas (conscientes, sensibilizadas ou mesmo alienadas) se propõem a serem parte desta conjuntura. E, numa sociedade mediada pelas diversas mídias, resultado das mais engenhosas TIC’s, não há como controlar a produção da informação. Nesse sentido, vem à tona a necessidade de se discutir quem pode (legalmente) exercer o direito de ser produtor/a desta comunicação.

A comunicação enquanto área ou campo do conhecimento divide-se por habilitações, onde algumas ganham destaque quando trata-se do exercício profissional, exigindo formação acadêmica especifica. Cada uma das suas sub-áreas, se assim podem ser denominadas, realizam atividades distintas, porém todas possuem sua devida importância na veiculação do produto final, a informação.

Para que haja o aprofundamento do conhecimento e assim o ajustamento da prática, surgiu a Universidade e, neste caso, os cursos de Comunicação Social. Entretanto, desde sua criação até os dias atuais, ainda não foram criados mecanismos capazes de garantir a todos os indivíduos interessados o acesso a tal formação, fator que define a educação universitária como um privilégio de uma minoria.

Diante disso, faz-se necessário pensar as formas de se fazer comunicação, atentando para as reflexões que podem ser feitas acerca do uso das tecnologias como instrumentos de democratização ou reprodução de um sistema alienante e opressor. É importante também analisar se a formação necessária para o exercício profissional das habilitações da comunicação passa, obrigatoriamente, pela academia, uma vez que esta não é democrática.

Portanto, os valores éticos necessários para que haja o compromisso com a prática da profissão, devem ser a preocupação principal daqueles/as que, de fato, acreditam numa comunicação livre, verdadeiramente democrática, capaz de promover o exercício pleno da cidadania.


Referências


GUARESCHI, Pedrinho A. A realidade da comunicação – visão geral do fenômeno. In: GUARESCHI, Pedrinho A. (Coord.). Comunicação e controle social. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2004.

LORENZOM, Adriane. Poder local no ar: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no brasil. Brasília: Abravídeo, 2009.

SOARES, Ismar de Oliveira. Educomunicação e cidadania: a construção de um campo a partir da prática social. In: PERUZZO, Cicilia Maria Krohling e ALMEIDA, Fernando Ferreira de (Organizadores). Comunicação para a cidadania. São Paulo: INTERCOM; Salvador: UNEB 2003.


"Farinha pouca, meu pirão primeiro", infelizmente

No dia 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal aprovou a não-obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Nada novo, apenas a oficialização de uma prática já tão corriqueira e que jamais impediu a existência do bom e do mau jornalismo no Brasil.


Sendo bem sincera... enquanto estudante de Comunicação Social, enquanto representação estudantil (C.A), enquanto militante do movimento estudantil (nacional) de comunicação, enquanto pessoa que acredita que muita coisa está errada e precisa mudar em nossa sociedade, digo que essa decisão veio pra provar o quanto as pessoas são (e estão cada vez mais) egoístas.


Cabe aqui, mais um ditado popular, dentre tantos que tem sido usado depois do dia 17 de junho: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. É nisso que parece está embasado o levante de tantos que perderam o sono depois da decisão do Supremo Tribunal Federal.


Quantas decisões absurdas o STF e outras esferas do poder nacional tem tomado, mas como não nos atingem diretamente, ninguém tá nem aí. Vamos pensar um pouco: Por que ninguém se interessou em travar esse debate antes? A mídia se calava, independente da posição que defendia. A academia também não (ou muito pouco) se pronunciava. O que falta pra gente se apropriar (com qualidade) dessas discussões? É a inexistência de espaços para isso? Não. É falta de interesse.


Me desculpem, mas me pronuncio aqui pra dizer que não me preocupa a decisão do STF, minha inquietação é outra.


Ás vezes ouço discursos de colegas que me causam náuseas... há uma pseudo preocupação com a formação. As falas são bem arrumadinhas, as críticas aos grandes meios (ao monopólio da mídia) são consensos, mas pouco vejo a diferença na prática. Parece que todo mundo esquece que a mídia é feita por pessoas, ou seja, nós daqui a pouco.


Talvez, se refletíssemos mais sobre a verdadeira prática jornalística, sobre o jornalismo como ciência preocupada com uma necessária transformação social; talvez se brigássemos para que as empresas proporcionassem adequadamente o estágio... estaríamos hoje aqui preocupad@s em exigir a regulamentação da nossa profissão, preocupad@s em lutar contra a precarização da mesma ou ainda preocupad@s com algo mais emergencial numa sociedade movida pela tecnologia da informação e da comunicação.


Os argumentos expostos por Gilmar Mendes são covardemente ridículos, só prova a mediocridade do debate, o despreparo cada vez maior dos representantes políticos que, diariamente, decidem a vida de centenas de brasileiros e brasileiras. Contudo, nesse contexto de obrigatoriedade ou não do diploma de jornalista, vejo um problema bem maior: o que estamos fazendo dos 4 anos (em média) que passamos na Universidade? Essa reflexão faz-se necessária para definirmos o que faremos depois desses 4 anos, logo após aquela solenidade em que vamos receber o diploma e encher o peito pra dizer que somos jornalistas "por formação".


Por que não centramos nossas energias numa batalha por uma educação de qualidade, onde a Universidade não seja um privilégio de uma pequena parcela da população? Por que não questionamos a falta de oportunidade que impede a existência de mais profissionais qualificados? Por que não enfrentamos os “donos da mídia” que insistem em não oferecer a qualidade da informação de que a população é merecedora? Por que também não nos revoltamos com o STF quando a decisão atinge profissionais de outra categoria?


Tudo isso porque somos egocêntricos, individualistas e assim, infelizmente, nunca seremos agentes de mudança social alguma, como, teoricamente, nos propomos a ser.


Para as/os que querem desistir de estudar, lamento, só tenho a dizer que é preciso mais maturidade e um maior compromisso seja qual for a profissão a ser seguida. Àqueles/as que não se conformam com a não-exigência do canudo, busquem as alternativas. Temos aí um mercado gigante que tem lugar para todo e qualquer bom profissional.


No mais... continuo (já quase concluindo) meu curso, na certeza de que teoria e prática devem caminhar juntas, (com ou sem obrigatoriedade do diploma) pois estas sim, aliadas à ética, são essenciais no exercício da profissão que escolhi.

Érica Daiane - Estudante do 8º período de Comunicação Social (Jornalismo em Multimeios) /UNEB Juazeiro.