Quando se fala do caráter estratégico da produção simbólica para o poder, compartilho do entendimento de Jean-Paul Sartre (1994), no qual diz que a mídia desempenha os papéis de "servidores da hegemonia e guardiães da tradição". A comunicação jamais esteve tão fortemente entranhada na batalha das ideias pela direção moral, cultural e política da sociedade. Ocupa posição relevante no âmbito das relações sociais, visto que fixa os contornos ideológicos da ordem hegemônica, elevando o mercado à instância máxima de representação de interesses.
Tudo à volta se recompõe e se desloca incessantemente. Predominam os mantras da velocidade, da inovação e da mercantilização, cada vez mais ajustados à urgência por vantagens e dividendos competitivos. A multiplicação de produtos e serviços multimídias, disponibilizados por tecnologias de última geração, põe-se a serviço de lógicas corporativas que convertem variedades em grandes quantidades lucrativas. Daí a importância de pressões sociais sistemáticas em favor de políticas públicas que protejam e promovam o interesse coletivo contra ambições monopólicas privadas.
Gramsci (1999) realça o valor em recusarmos proposições ocasionais e desarticuladoras, que querem nos incluir em "multiplicidades de homens-massa", tentando afastar os "homens-coletivos" da consciência fundamental contra o conformismo, a apatia e a alienação. As indicações do filósofo marxista italiano tornam-se especialmente úteis em um momento histórico no qual tramas sinuosas se desenrolam à sombra de telas, monitores, celulares e redes digitais, influindo cada vez mais na formação das mentalidades. O pensamento crítico e dialético impõe-se como elemento-chave para afugentar o culto celebratório do novo e o alvoroço por abundâncias mercadológicas, bem como para qualificar intervenções autenticamente transformadoras da cena pública.
Dentro do estado das novas configurações midiáticas, apesar das aparências espetacularizadas, seduções consumistas e feitiçarias tecnológicas, é preciso reconhecer as iniciativas que tentam reforçar a variedade informativa e cultural. Significa trazer à luz experiências que se oponham aos crivos e controles da mídia, introduzindo projetos criativos capazes de descentralizar, progressivamente, os processos comunicacionais e contribuir para o alargamento das margens de diversidade e crítica da mídia.
Referências:
GRAMCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Vol. 1. Carlos Nelson Coutinho (Org. e Trad.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999, p. 94-95.
SARTRE, Jean Paul. Em defesa dos intelectuais. São Paulo: Ática, 1994, p. 23.
Tudo à volta se recompõe e se desloca incessantemente. Predominam os mantras da velocidade, da inovação e da mercantilização, cada vez mais ajustados à urgência por vantagens e dividendos competitivos. A multiplicação de produtos e serviços multimídias, disponibilizados por tecnologias de última geração, põe-se a serviço de lógicas corporativas que convertem variedades em grandes quantidades lucrativas. Daí a importância de pressões sociais sistemáticas em favor de políticas públicas que protejam e promovam o interesse coletivo contra ambições monopólicas privadas.
Gramsci (1999) realça o valor em recusarmos proposições ocasionais e desarticuladoras, que querem nos incluir em "multiplicidades de homens-massa", tentando afastar os "homens-coletivos" da consciência fundamental contra o conformismo, a apatia e a alienação. As indicações do filósofo marxista italiano tornam-se especialmente úteis em um momento histórico no qual tramas sinuosas se desenrolam à sombra de telas, monitores, celulares e redes digitais, influindo cada vez mais na formação das mentalidades. O pensamento crítico e dialético impõe-se como elemento-chave para afugentar o culto celebratório do novo e o alvoroço por abundâncias mercadológicas, bem como para qualificar intervenções autenticamente transformadoras da cena pública.
Dentro do estado das novas configurações midiáticas, apesar das aparências espetacularizadas, seduções consumistas e feitiçarias tecnológicas, é preciso reconhecer as iniciativas que tentam reforçar a variedade informativa e cultural. Significa trazer à luz experiências que se oponham aos crivos e controles da mídia, introduzindo projetos criativos capazes de descentralizar, progressivamente, os processos comunicacionais e contribuir para o alargamento das margens de diversidade e crítica da mídia.
Referências:
GRAMCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Vol. 1. Carlos Nelson Coutinho (Org. e Trad.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999, p. 94-95.
SARTRE, Jean Paul. Em defesa dos intelectuais. São Paulo: Ática, 1994, p. 23.

Nenhum comentário:
Postar um comentário