terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que enxerga o “super-olho”?

Breves reflexões sobre Tecnologia, Informação, Comunicação e Sociedade

Por Érica Daiane


Cibernética, chips, biotecnologia, amor virtual. Essas são algumas das tantas palavras que passaram a fazer parte do nosso cotidiano de uns anos para cá. Elas vão entrando no nosso vocabulário e a gente nem se dá conta, assim como vamos nos sentindo, cada vez mais, dependentes de aparelhos e memórias virtuais. A educação não se ver mais sem o auxílio das tecnologias da informação e comunicação e estas são mecanismos a ser explorados para educar a sociedade.

Paulo Roberto Giardullo Pinto no texto O Panóptico: Foucaut confirma Orwell fala de um olho que tudo vê, um olho que vê sem ser visto e que controla seus observados. Para o autor, a tecnologia que proporciona o encurtamento das distâncias, a brevidade da informação, a agilidade da comunicação interna de determinados grupos sociais, é, ao mesmo tempo, vigilante, coercitiva, e até sufocante.

Entretanto, no ritmo atual dos acontecimentos, não mais se pode imaginar uma sociedade livre da colaboração dos multimeios. A comunicação é mediada por mecanismos que se reconfiguram a cada dia, que permitem a existência de novos pólos de emissão e estabelece conectividades entre seres humanos, sob a interferência exclusiva das máquinas.

Mas, vale destacar que os regimes políticos, aos quais a sociedade está submetida, tem utilizado o avanço tecnológico, a ousadia humana, em prol da manutenção do poder capitalista. Em nome de um desenvolvimento dito necessário, o sistema político e sócio-econômico mantém o status quo sob a justificativa de que os indivíduos precisam consumir (celulares, computadores, eletrodomésticos etc; não qualquer um e sim os de última geração) porque já existe um estado irreversível de dependência do ser humano à tecnologia. Nesse sentido, as pessoas dedicam parte da vida ao trabalho no anseio de aumentar o poder de possuir algo, geralmente algo que está na moda. E a cada dia surge algo novo na moda. Assim, constitui-se uma classe trabalhadora, geradora de lucros para uma minoria que permanece em ponto fixo de onde olha sem ser vista, legitimando o modelo panóptico.

Constata-se que os paradigmas que a cada dia se (re)estabelecem em torno da tecnologia, permitem a existência de uma via de mão dupla no campo da vida humana, que não deixa de refletir diretamente no campo da comunicação social. As teorias buscam dá conta dos acontecimentos que se justificam pela existência de uma era pós-moderna, onde a transformação do mundo parece ser um objetivo comum.

Na comunicação isso se reflete diariamente, à medida que vive-se o impasse entre o que ético ou não no fazer comunicativo, por exemplo. Fala-se em corpo cibernético, pós-humano que aparenta está inserido numa contemporaneidade sem rumo, onde o individualismo prevalece em detrimento da coletividade, onde o tempo deixa de ser qualitativo e passa a ter valor quantitativo. E isso se reflete nas rotinas e nos ecossistemas comunicativos, vive-se uma era da informação atropelada pelo dilema do transhumanismo, pelos encantos da cibercultura, pelo controle do panóptico.

Neste contexto, a via de mão dupla é explícita: existem lados, prós e contras na relação seres humanos e tecnologia. É preciso, portanto, atentar para o fato de que esta última não é vilã da humanidade, há uma mediação humana fundamental. O mundo proporcionado pelo desenvolvimento tecnológico é encantador, facilita a vida das pessoas, agiliza os processos de troca de informações acerca do mundo e de seus acontecimentos. Nisso, o discernimento na utilização dos produtos do mundo tecnológico é essencial para que a comunicação não se perca na possibilidade de superação do humano.


Inspirações:

- O Panóptico: Foucault confirma Orwell (Paulo Roberto Giardullo Pinto)

- Cibercultura: alguns pontos para compreender a nossa época (André Lemos)

- Aulas da disciplina Tecnologia da Informação, Comunicação e Sociedade




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